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sábado, 9 de maio de 2020

Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco - 168 anos



   Conheça o acervo de livros e documentos da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (Fundada em 05 de maio de 1852). 
      A BPE está localizada na rua João Lyra, s/n, bairro de Santo Amaro (ao lado do Parque 13 de maio). Participe dos eventos culturais, visite também o Setor Circulante, faça o seu cadastro e seja sócio (empréstimo gratuito de livros de várias áreas).
        Tenho orgulho ter atuado junto a equipe de bibliotecários, professores e demais profissionais que compõem aquela bela família. Feliz por saber que deixei amigos, descobri novos e outros reencontrei. Muito bom ver o quanto zelam e prestam o belo serviço para toda uma sociedade. Parabéns a todos que fazem nossa Biblioteca Pública chegar aos seus 168 anos com tanta vitalidade e inspirando novas gerações no ato de valorizar a leitura.




domingo, 12 de abril de 2015

Greve dos professores: 1979 x 2015 o que mudou?


JC - 12/04/1979.

                       Sou um apaixonado pela docência e principalmente acompanhar os bastidores que norteiam a Política sindical. No curso dos últimos quatro anos venho trabalhando a temática identidade docente e seu processo de (des) construção. Dentre os caminhos que acreditei ser possível entendermos a questão escolhi analisar como dois principais Jornais do Estado trataram a questão no período em que eclodiu a primeira grande mobilização e greve geral dos professores durante vigência da Ditadura Civil- militar, classe  naquela época "representada" pela APENOPE. A literatura que reservei até o momento é bastante ampla, porém, uma em especial trabalho e destaco como de expressivo valor para qualquer pesquisador hoje entender o que ocorreu para deflagração da greve em 1979, ou até mesmo se hoje desejarmos entender os possíveis rumos que a greve deflagrada no último dia 10 de abril de 2015 poderá tomar.
                       O historiador Rafael Leite Ferreira em 2012 presenteou estudiosos com a obra " O Novo Sindicalismo urbano em Pernambuco (1979-1984): entre mudanças e permanências", editora UFPE. Porém, desejo destacar dois pequenos trechos referente a greve dos professores que ocorria em 1979 para entendermos de alguma maneira o que estamos vivenciando hoje principalmente depois da última assembléia no Clube Português em que o SINTEPE vivenciou uma cena pouco corrente. Antes mesmo faço aqui duas comparações entre o cenário de 1979 e o de 2015, que dependendo da postura adotada a partir de amanhã dará o sinal para o sucesso ou fracasso do movimento.
           Primeiro: assim como o atual governo ocupa o posto a pouco mais de cem dias  e adotou uma postura não conciliadora, em 1979 não foi muito diferente. O então Governador biônico Marco Maciel também adotou medidas que desprestigiava ainda mais a classe docente já nos primeiros cem dias de sua gestão.
          Segundo: os professores da rede estadual em 1979 tiveram por várias vezes negada reposição real em seus salários e a direção da APENOPE na época pouco tomava posição em favor da categoria. No entanto, a partir da assembleia realizada no Clube Náutico os rumos mudaram. Naquele momento professores da base do movimento tomaram maior participação, decidiram os rumos e deflagraram uma greve em pleno período de repressão.
               Durante a leitura do livro do professor Rafael Ferreira duas passagens 1 em especial possibilita entendermos melhor a história do sindicalismo urbano em Pernambuco, mas especialmente o processo de (des) construção da identidade docente. Particularmente busco essa compreensão partindo do humor expresso nas chargistas do DP e do JC, como também a partir da "repressão" desencadeada pelos agentes do DOPS/PE. 
             
  1        A assembleia do ano de 1979, realizada no dia 11 de abril poderia ter seguido o mesmo rumo de todos os anos. Mas não o fez. Logo no início da assembleia, a diretoria da APENOPE notou algo diferente na reunião daquele ano. Os professores estavam agitados, manifestando, com coragem, ousadia, humor e criatividade, suas insatisfações com os problemas que o afligiam, como baixos salários, as precárias condições de trabalho e a posição "pelega" de sua associação.  (2012, p. 208).

                          O primeiro aspecto que vale a pena ser destacado acerca das greves urbanas ocorridas, em Pernambuco, no ano de 1979, diz respeito à atuação dos trabalhadores mesmo que à revelia de suas entidades sindicais. (2012,p. 228).

                       

segunda-feira, 17 de março de 2014

3º dia Paralisação Nacional dos professores da Rede Pública: Conheça a história real.


                    Termina hoje a paralisação nacional deflagrada na Rede de ensino pública ( 19/03), todas unidades pública de ensino estiveram exatamente como a maioria encontra-se, "abandonada"; ou seja sem a presença dos seus efetivos professores; digo efetivos por que, algumas continuaram funcionando precariamente ainda devido aos milhares de estagiários que recebem salários irrisórios para preencher um espaço já caótico. Também, ao ler os jornais, você nada encontrou de matéria relevante, afinal, qual importância há que os professores lutam a décadas por um valorizar que chega quase em "contra-gotas?
                 Por parte do governo a sociedade  não teve e não terá explicações, afinal, quase todos os alunos receberam tablets, material, merenda e até estão sendo enviados para fazerem intercâmbio. Por outra, nossos gestores se manterão em pleno silêncio, uma vez que, não conseguem explicar os altos índices de analfabetos funcionais, o processo de maquiagem que alguns estabelecimentos de ensino recebem enquanto outros nem água dispõem. Na verdade, hoje o governo do estado mostrou-se presente sim, nos principais jornais locais foram impressos dois cadernos prestando conta (campanha mesmo) o quanto Pernambuco avançou.
               Encontrar uma justificativa aceitável para paralisação que tem início esta semana não parece difícil, principalmente se buscarmos estudos acadêmicos, livros publicados e congressos veremos que, desde início do século XIX a nossa imprensa registra mobilizações dos professores por melhorias que ainda hoje e não foram devidamente atendidas por aqueles que deveriam gestar nosso Sistema educacional.
                     Inicialmente, selecionei o artigo publicado na Revista da faculdade de Letras / Portugal, estudo onde as autoras conseguem ainda em 2005 apresentar o nível de visibilidade que o professor estaria enfrentando não só naquele ano como nos dias atuais.  Em seguida resgatei para estudo trechos da dissertação do Daniel Cavalcanti (UFMG - 2011) e aproveitei apenas para destacar alguns trechos bastantes atuais e que respondem de forma mais clara o descaso com o ensino brasileiro que ocorria ainda no período Imperial e não solucionada nos dias atuais.
            Por fim caros colegas e também professores, tomei a liberdade de colocar apenas como provocação um carta publicada ainda este mês no jornal Diário de Pernambuco e que, guardando a devida dimensão sintetiza o elo histórico que marca o descaso ao ensino público brasileiro. Portanto, antes de ficar irritado por não ter onde deixar seu filho, por não ter para onde ir no dia de hoje, por acreditar que os nosso governantes já fizeram demais, pare e veja o que realmente falta e desde de quando a sociedade clama por uma POLÍTICA EDUCACIONAL  séria e efetiva.  A atual paralisação nacional não é um dia para ficarmos desmobilizados. Hoje é o dia em que Sociedade Civil e todos que zelam por uma educação séria e de qualidade exija com mais força do nosso governador, da presidenta que façam valer direitos e destinação dos recursos (que por sinal só faz crescer) de uma forma planejada e não visando apenas projetos eleitoreiros.


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"Em seu primeiro relatório, o inspetor da instrução Eusébio de Queiroz afirmou ser fora de dúvida que o aperfeiçoamento da instrução pública dependia em grande parte da “inspeção intelligente, regular e activa dos seus diversos estabelecimentos”.  Eusébio alegava que os professores poderiam “deixar-se dominar pelo espírito de rotina e pela indolência” quando estivessem longe da “ação da autoridade superior”. Diante de tais observações, Eusébio defende a presença de autoridades que, ao exercerem “uma inspecção immediata sobre o ensino, animem o professor na árdua tarefa a que se dedicou, o aconselhem, o guiem, e o advirtão para que se não desviem do caminho que lhes dicta o dever” (p.3). Em relatório posterior, relativo ao ano de 1857, ao reivindicar o auxílio dos párocos na inspeção das escolas, o inspetor reitera a necessidade do professor sentir-se sob vigilância".                                                                     P.49.

O ministro segue em seu relatório ressaltando a importância do ensino obrigatório, alertando que ele só será realidade quando for possível enviar os filhos às escolas: “quando existão effectivamente em lugares, onde possão commodamente ser freqüentadas” (ibidem). O relatório trazia, assim, junto com a falta de escolas, um outro problema: a falta de prédios apropriados para receber essas escolas.         P.63


Muitas vezes os professores submetidos a espaços inapropriados pediam a transferência do local da escola, utilizando argumentos higiênicos, como no caso do professor da 2a cadeira da Freguesia da Lagoa, que solicitava a mudança da escola, pois, segundo o
professor, a casa que a escola ocupava era úmida e tinha sido prejudicial à sua saúde e à de sua família; isso, inclusive, o impediu de dar aulas, pois, devido às condições insalubres da escola, o professor fora acometido por febres que o levaram à cama.

Nesse caso, o ministro se refere à escola construída na Freguesia da Glória. Contudo, essa iniciativa não é unanimidade entre os professores, que sempre pediram a construção de espaços apropriados, mas que viam, nessas construções da década de 1870, a construção de verdadeiros Palácios, enquanto o professor era deixado na miséria.


Estas eram duas questões que estiveram nos debates do início da década de 1870, a questão salarial e a crítica à construção dos modernos edifícios escolares, os “palácios”, como foram conhecidos na época que tiveram suas construções financiadas com fundos do Governo Imperial, da Câmara Municipal e de Associações Promotoras do Ensino e de Beneficência.                    P.75


O ataque aos professores e à sua capacidade era usado para mascarar toda uma série de falhas estruturais na educação e no funcionamento do Estado. Respondendo a esses ataques do Ministro dos Negócios do Império, alguns professores primários reuniram-se na Corte e redigiram um Manifesto ao Imperador e ao Ministro João Alfredo. O relator desse manifesto era ninguém menos que o professor Frazão. Nesse manifesto, os professores reclamavam da situação de penúria a que estavam submetidos, comparando seu estado com o dos escravos, e levando à dedução de que o governo seria o “grande feitor”.

P.111


LEMOS, Daniel Cavalcanti. Professores em movimento: A Emergência do associativismo docente na Corte Imperial Tese doutorado UFMG – 2011.


Os professores formam um cluster profissional que deixou de usufruir de uma reputação social elevada (ainda que se reconheça, globalmente a importância da missão que desempenha)  pelo que, como a imagem social interfere na escolha da profissão, se assiste nesse momento a um processo de inferiorização do professorado". 
                                                                          
                                                                                        Rosa Bizarro e Fátima Braga. Revista da Faculdade de Letras, Porto. 2005












































DP -06/03/2014 - B4




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Ao meu amigo Diogo Borges

"Bom dia meu querido e amado Mestre. Estou aqui pra lhe dar a notícia que Diogo, meu irmão passou na UPE em Ed. Física, na RURAL em Engenharia de Pesca e ganhou pelo PROUNI uma bolsa integral no curso de LOGÍSTICA na Nassau. O senhor faz parte desse sucesso". (Débora Borges).




1ª Gincana do Frei Romeu / 2010.




Nossa profissão é mesmo gratificante. Ainda hoje pela manhã conversava com um colega quanto o prazer que tenho seja de pesquisar documentos de décadas remotas ou mesmo estar em sala de aula e ter a certeza que fiz o meu melhor, mas durante a conversa, lembro que comentei com ele que muitas vezes aquela sensação de um dever cumprido e que havia ministrado um trabalho significativo para a vida futura daqueles alunos muitas vezes só apareciam como resposta anos depois. Pois bem, hoje foi um desses dias. Agora a pouco ao chegar em casa tive a satisfação de receber um carinhoso bom dia de uma ex. aluna e hoje minha amiga, uma relação que foi construída a pelo menos cinco anos sempre dosada de cobranças e respeito. A notícia trazida dessa vez foi as excelentes conquistas do seu querido irmão.
Diogo Borges até hoje também esta guardado carinhosamente no meu coração, não por ser aquele garotinho lá na antiga 5ª série (fundamental II ao 1ª série do Ensino Médio) e irmão da minha antiga aluna Débora, ele soube como poucos compreender o nível das minhas cobranças, soube "entrar e sair" como poucos.
Acompanhei o crescimento do Diogo (fisico quanto intelectualmente), acompanhei na mesma velocidade que acompanhei o meu filho, uma vez que são praticamente da mesma idade. Como ser surpresas as conquistas recentes? Este garoto sempre procurava participar das aulas, fazia as atividades da melhor maneira possível e principalmente tinha a humildade de ajudar seu colegas e até mesmo dizer quando não sabia uma resposta. Talvez você pergunte: O que diferenciava o Diogo dos demais alunos que estudaram naquela escola pública? Posso afirmar com certeza dois fatores: humildade e o papel da família principalmente junto aos professores.
A humildade que nós professores encontrávamos nos olhos e principalmente nas palavras dirigidas tanto aos colegas quantos aos docentes. Não tenho lembrança de vê-lo reclamar de uma atividade ou "clonar" atividades avaliativas, ele sim, como poucos buscava sempre a qualidade e expressar metas para um futuro próximo. Diante das "broncas coletivas" recebidas logo em seguida quase sempre vinha desculpar-se.
Por outro lado todo esse trabalho e resultados de sucessos pouco seria possível sem o apoio constante dos pais e também da sua irmã Débora Borges. Nós professores sempre recebíamos a visita a qualquer momento dos seus responsáveis para saber o desempenho escolar e aconduta em sala de aula, como também, sua irmã além de estudar com afinco para os vestibulares tinha sempre pronto um sorriso e um abraço carinhoso a oferecer.
Assim, como professor, o verdadeiro pagamento eu recebi agora. O sucesso abraçado pelo Diogo é resultado de uma equipe de professores da rede pública de ensino (Frei Romeu) que sempre procurou trabalhar sério. Parabéns meu eterno aluno Diogo Borges e guarde sempre meu carinho e admiração. Muito obrigado por ter compreendido que minha postura (exigente, chato, que não faltava e que não facilitava em nada) tinha um objetivo maior.
Meu carinho e um muito obrigado por ter confiado em meu trabalho, como também tenha a certeza que novos desafios estão apenas surgindo em sua vida mas que com a força de Deus e de seus familiares serão logo superados.


Forte abraço.

Cícero Souza (Professor e pesquisador/acervo DOPS).




quarta-feira, 18 de setembro de 2013