DP - 27-10-2015
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terça-feira, 27 de outubro de 2015
terça-feira, 1 de abril de 2014
Ditadura Militar: Quando ainda "aborrecente"!
Hoje, refletimos sobre um fato ocorrido exatamente cinquenta anos atrás, uma vez que concretizava-se ali a maior mobilização de grupos formado por militares e civis, movimento esse que mergulhou o país numa ditadura por 21 anos. Não vivenciei diretamente o período, o máximo que me lembro foi um cascudo que levei (por volta dos sete anos de idade) quando falei que "o governo era ruim". Atualmente, continuo desenvolvendo minha pesquisa, estudo esse que tem como foco o impacto do Regime na história de vida dos docentes e a fragilização da ação sindical.
Mas, voltando ao Golpe, Revolução ou Golpe Civil-militar quero aqui lançar uma breve pesquisa que realizei e que talvez direcione discursos daqueles que afirmam terem saudades daquela época. Na verdade, foi aguçada quando no último sábado (29/03/2014) acompanhei uma calorosa conversa entre três pessoas no interior de um coletivo, todos tinham na faixa de sessenta anos e teciam elogios e saudades de uma época em que na cidade do Recife não havia assalto, "a educação funcionava, os programas televisivos eram moralizados, o trânsito fluía tranquilamente"; escutando a história de vida deles quase que cheguei a sentir saudades e vontade de que "realmente aqueles tempos voltassem".
Assim, aleatoriamente decidi fazer um levantamento nos principais jornais locais e focar em matérias que retratassem o cotidiano. Como leitor confesso que poucas vezes me senti tão angustiado; quanto pesquisador o êxtase foi intenso por compreender que a memória estava ali registrada e a quem desejar basta passar uma tarde no interior de um Arquivo, solicitar um periódico do acervo e "voltar no tempo".
O período ditatorial correspondeu entre os anos de 1964 a 1985, mas defini como corte os anos de 1974 / 1976. Já em relação ao periódico foram excluídas as leituras dos dois principais (DP e JC), passando como caminho para análise um veículo que fizesse esse "elo de comunicação com a sociedade", mesmo que estivesse alinhado com o regime presente. O Diário da Noite foi o jornal avaliado, o caderno Cotidiano foi o principal para que pudesse ter as notícias mais direcionadas ao registro do período, como também, no Caderno há registros de cartas à redação em que o leitor demonstra toda insatisfação com as instituições e aqueles que ocupam postos "biônicos".
No breve apanhado que levantei pude constatar uma quantidade e variedade enorme de "violência" registrada contra mulheres (doméstica ou não); há inúmeros casos de violência sexual contra crianças (meses de idade e também adolescentes), violência física e casos de abandono. No entanto, o que também chamou atenção foram as notícias de assaltos vitimando a população das mais diversas áreas do Grande Recife. É desse período também o registro quanto o aumento do consumo de drogas (álcool e maconha).
08/05/1976 - DN
08/05/1976 - DN
Apesar dos registros da atuação policial (com prisões de grupos armados e outros mais) é também marcante que entre os anos de 75/76, durante pleno Regime ditatorial, a própria polícia muitas vezes foi vítima da ação de bandidos armados.
16/06/1975 -DN.
Outro registro que merece destaque no levantamento realizado é a questão do serviço público prestado a população. Ao folhear os jornais do período escolhido foi possível perceber que problemas graves que clamamos solução hoje na década de vigência do regime era uma realidade e não havia políticas para serem combatidas. Li declarações (na época) de políticos que hoje ocupam espaço privilegiado em várias secretarias e ministérios, Dentre os casos registrados nos jornais da época temos a péssima qualidade do atendimento no principal hospital público e recém inaugurado (HR). Nas ruas do Recife dois problemas eram denunciados quase que diariamente: Presença da mendicância e excesso de lixo nas principais vias, claro, nos bairros da Zona Norte o impacto era bem maior.
Julho de 1975
Ao pensarmos a educação no período não será muita surpresa para mim, afinal, o estudo que realizo já consigo constatar que o descaso é muito anterior a presença dos militares no poder, porém, o trabalho desenvolvido pouco atendeu ao coletivo e em muito desvirtuou o principal papel do professor no processo educacional brasileiro. Durante leitura do jornal Diário da Noite ficaram constatadas: Violência contra o professor; deficiência no processo de ensino e principalmente indícios de desvio de recursos direcionados à pasta.
11/06/1975 - DN
29/09/1976
23/12/74 - DN
Visando concluir a breve pesquisa que realizei, urge, que nossa sociedade aproveite esse período de discussão (50 anos do fato) para que analise "essa outra violência" que foi imposta durante décadas. Que este texto seja apenas provocativo para que possamos entender como a memória coletiva foi construída e reproduz até hoje que "naquela época era tudo bem melhor e funcionava de verdade".
Talvez você tenha estranhado o "aborrecente"! Veja que, estávamos exatos no ano de 1975/6, portanto, o Regime já completara mais que uma década e sua postura diante qualquer oposição era simplesmente de provocação.
Cícero Souza - Professor e pesquisador - Acervo DOPS/PE.
Fontes: Jornal Diário da Noite ( 1975/1976) - Hemeroteca do Arquivo Estadual.
segunda-feira, 17 de março de 2014
3º dia Paralisação Nacional dos professores da Rede Pública: Conheça a história real.
Termina hoje a paralisação nacional deflagrada na Rede de ensino pública ( 19/03), todas unidades pública de ensino estiveram exatamente como a maioria encontra-se, "abandonada"; ou seja sem a presença dos seus efetivos professores; digo efetivos por que, algumas continuaram funcionando precariamente ainda devido aos milhares de estagiários que recebem salários irrisórios para preencher um espaço já caótico. Também, ao ler os jornais, você nada encontrou de matéria relevante, afinal, qual importância há que os professores lutam a décadas por um valorizar que chega quase em "contra-gotas?
Por parte do governo a sociedade não teve e não terá explicações, afinal, quase todos os alunos receberam tablets, material, merenda e até estão sendo enviados para fazerem intercâmbio. Por outra, nossos gestores se manterão em pleno silêncio, uma vez que, não conseguem explicar os altos índices de analfabetos funcionais, o processo de maquiagem que alguns estabelecimentos de ensino recebem enquanto outros nem água dispõem. Na verdade, hoje o governo do estado mostrou-se presente sim, nos principais jornais locais foram impressos dois cadernos prestando conta (campanha mesmo) o quanto Pernambuco avançou.
Encontrar uma justificativa aceitável para paralisação que tem início esta semana não parece difícil, principalmente se buscarmos estudos acadêmicos, livros publicados e congressos veremos que, desde início do século XIX a nossa imprensa registra mobilizações dos professores por melhorias que ainda hoje e não foram devidamente atendidas por aqueles que deveriam gestar nosso Sistema educacional.
Inicialmente, selecionei o artigo publicado na Revista da faculdade de Letras / Portugal, estudo onde as autoras conseguem ainda em 2005 apresentar o nível de visibilidade que o professor estaria enfrentando não só naquele ano como nos dias atuais. Em seguida resgatei para estudo trechos da dissertação do Daniel Cavalcanti (UFMG - 2011) e aproveitei apenas para destacar alguns trechos bastantes atuais e que respondem de forma mais clara o descaso com o ensino brasileiro que ocorria ainda no período Imperial e não solucionada nos dias atuais.
Por fim caros colegas e também professores, tomei a liberdade de colocar apenas como provocação um carta publicada ainda este mês no jornal Diário de Pernambuco e que, guardando a devida dimensão sintetiza o elo histórico que marca o descaso ao ensino público brasileiro. Portanto, antes de ficar irritado por não ter onde deixar seu filho, por não ter para onde ir no dia de hoje, por acreditar que os nosso governantes já fizeram demais, pare e veja o que realmente falta e desde de quando a sociedade clama por uma POLÍTICA EDUCACIONAL séria e efetiva. A atual paralisação nacional não é um dia para ficarmos desmobilizados. Hoje é o dia em que Sociedade Civil e todos que zelam por uma educação séria e de qualidade exija com mais força do nosso governador, da presidenta que façam valer direitos e destinação dos recursos (que por sinal só faz crescer) de uma forma planejada e não visando apenas projetos eleitoreiros.
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"Em seu primeiro relatório, o inspetor da instrução Eusébio de Queiroz afirmou ser fora de dúvida que o aperfeiçoamento da instrução pública dependia em grande parte da “inspeção intelligente, regular e activa dos seus diversos estabelecimentos”. Eusébio alegava que os professores poderiam “deixar-se dominar pelo espírito de rotina e pela indolência” quando estivessem longe da “ação da autoridade superior”. Diante de tais observações, Eusébio defende a presença de autoridades que, ao exercerem “uma inspecção immediata sobre o ensino, animem o professor na árdua tarefa a que se dedicou, o aconselhem, o guiem, e o advirtão para que se não desviem do caminho que lhes dicta o dever” (p.3). Em relatório posterior, relativo ao ano de 1857, ao reivindicar o auxílio dos párocos na inspeção das escolas, o inspetor reitera a necessidade do professor sentir-se sob vigilância". P.49.
O
ministro segue em seu relatório ressaltando a importância do ensino
obrigatório, alertando
que ele só será realidade quando for possível enviar os filhos às escolas: “quando
existão effectivamente em lugares, onde possão commodamente ser freqüentadas” (ibidem).
O relatório trazia, assim, junto com a falta de escolas, um outro problema: a
falta de prédios apropriados para receber essas escolas. P.63
Muitas
vezes os professores submetidos a espaços inapropriados pediam a transferência
do local da escola, utilizando argumentos higiênicos, como no caso do professor
da 2a cadeira da Freguesia da Lagoa, que solicitava a mudança da escola, pois,
segundo o
professor,
a casa que a escola ocupava era úmida e tinha sido prejudicial à sua saúde e à
de sua família; isso, inclusive, o impediu de dar aulas, pois, devido às
condições insalubres da escola, o professor fora acometido por febres que o
levaram à cama.
Nesse
caso, o ministro se refere à escola construída na Freguesia da Glória. Contudo,
essa iniciativa não é unanimidade entre os professores, que sempre pediram a
construção de espaços apropriados, mas que viam, nessas construções da década
de 1870, a construção de verdadeiros Palácios, enquanto o professor era deixado
na miséria.
Estas
eram duas questões que estiveram nos debates do início da década de 1870, a
questão salarial e a crítica à construção dos modernos edifícios escolares, os
“palácios”, como foram conhecidos na época que tiveram suas construções
financiadas com fundos do Governo Imperial, da Câmara Municipal e de
Associações Promotoras do Ensino e de Beneficência. P.75
O
ataque aos professores e à sua capacidade era usado para mascarar toda uma
série de falhas estruturais na educação e no funcionamento do Estado.
Respondendo a esses ataques do Ministro dos Negócios do Império, alguns
professores primários reuniram-se na
Corte e redigiram um Manifesto ao Imperador e ao Ministro João Alfredo. O
relator desse manifesto era ninguém menos que o professor Frazão. Nesse
manifesto, os professores reclamavam da situação de penúria a que estavam submetidos,
comparando seu estado com o dos escravos, e levando à dedução de que o governo
seria o “grande feitor”.
P.111
LEMOS, Daniel Cavalcanti. Professores
em movimento: A Emergência do associativismo docente na Corte Imperial Tese
doutorado UFMG – 2011.
Os professores formam um cluster profissional que deixou de usufruir de uma reputação social elevada (ainda que se reconheça, globalmente a importância da missão que desempenha) pelo que, como a imagem social interfere na escolha da profissão, se assiste nesse momento a um processo de inferiorização do professorado".
Rosa Bizarro e Fátima Braga. Revista da Faculdade de Letras, Porto. 2005
DP -06/03/2014 - B4
domingo, 20 de outubro de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Educação em Pernambuco
Ficou o zero.
No DP (15/06) Opinião, o assessor do governo do estado e também professor Anderson Gomes produziu um longo artigo "Escolas habilitada com tecnologias" onde aproveita para destacar a importância da "educação 3.0. Sem dúvida que o professor demonstra habilidade na construção teórica, no entanto, é infeliz quando não destaca que, até o momento (inclusive durante sua gestão como secretário) o governo do estado não preparou o conjunto dos seus professores para o desafio de fazer realidade uma educação pautada para o século 21. Tivemos apenas computadores sem conecção, os alunos com tablets e sem um devido de trabalho pedagógico. Até o momento, da conhecida "Educação 3.0" só ficamos com o zero.
*Publicado no DP (20/06/2013).
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