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sábado, 30 de maio de 2026

Educação Estudo aponta que leitura em papel tem vantagens cognitivas em relação aos dispositivos digitais

 "Além dos efeitos na memória e a compreensão, de acordo com a Psicologia a leitura em papel também apresenta benefícios emocionais."

    A conclusão reforçou uma percepção que vem ganhando espaço entre os especialistas: apesar dos avanços das telas e dos dispositivos digitais, os livros físicos continuam oferecendo benefícios importantes para o cérebro e para saúde mental. Pesquisadores explicam que a leitura impressa favorece um estado de concentração profunda, no qual a mente permanece focada por mais tempo e absorve informações de maneira mais eficiente.

    Durante a leitura, o cérebro cria referências especiais, associando trechos importantes a posições específicas das página. Essa espécie de "mapa mental" facilita memorização e possibilita o leitor a recuperar o leitor posteriormente.

    Já a leitura digital, segundo os estudos, costuma ocorrer de forma mais rápida e fragmentada, marcada por distrações constantes, notificações e excesso de estímulos visuais.

    Para a cientista cognitiva Maryanne Wolf , o hábito de consumir textos nas telas pode enfraquecer a capacidade ligada a reflexão, à empatia e ao pensamento analítico quando está lendo. Além dos efeitos na memória e a compreensão, de acordo com a Psicologia a leitura em papel também apresenta benefícios emocionais.

"Durante a leitura, o cérebro cria referências especiais, associando trechos importantes a posições específicas das página."

    Uma pesquisa da Universidade de Sussex, no Reino Unido, mostrou que poucos minutos de leitura ajudam a reduzir significativamente o estrese. O resultado superou atividades relaxantes como ouvir música, caminhar ou tomar chá. Psicólogos destacam que os livros oferecem uma pausa diante do ritmo do ambiente digital e contribuem para o equilíbrio mental.

Jornal Estado de Minas - 30/05/2026


Para assistir e aprofundar leitura:

Fonte: Por que cientistas defendem livros didáticos em papel e não digitais.

"O PISA confirma que o acesso a capital cultural, como livros, é um forte preditor de desempenho do estudante."


Fonte: Como as escolas suíças já usam inteligência artificial  em sala de aula.


Fonte: O uso da inteligência artificial em sala de aula.

Fonte: Biblioteca do Estado de Pernambuco; um espaço de referência e acesso a leitura.


Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar (Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR).
Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)

terça-feira, 26 de maio de 2026

Como anda a nossa Educação?

 Atenção aos professores precisa começar na formação

"Considerando apenas as licenciaturas na modalidade de educação a distância (EAD), mais da metade, 52%, é enquadrada na lista de desempenho insuficiente. "

        Os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) no último dia 20, são prova inconteste de que os avanços na educação brasileira exigem uma atenção ao corpo docente que não se limita às condições de trabalho. É consenso que a carreira de professor precisa ser atrativa, mas há de se reforçar mecanismos que melhorem a qualidade da formação de quem se envereda por ela.

    O Enade avalia as graduações com base no desempenho dos alunos concluintes. A versão mais recente das licenciaturas considerou 4.948 cursos — responsáveis pela formação de pouco mais de 293 mil profissionais para atuar na linha de frente da educação brasileira. Dessas, 35% foram reprovadas — não conseguiram ter mais de 60% dos estudantes com a proficiência considerada básica. Um olhar mais apurado nos números deixa a situação ainda mais preocupante. Considerando apenas as licenciaturas na modalidade de educação a distância (EAD), mais da metade, 52%, é enquadrada na lista de desempenho insuficiente. No caso dos cursos presenciais, o número cai para 29%. E a formação que se dá nos chamados ambientes virtuais de aprendizagem impera entre os avaliados: 194.433  — quase sete em cada 10 — concluíram a graduação nesse formato.

        A possibilidade de ampliar o acesso ao ensino superior é apontada como um dos principais benefícios do avanço da EAD no país. Educação que restringe é, de fato, um contrassenso. Mas não se pode cair na armadilha do mais por menos, do diploma de graduação a qualquer custo. Um dos riscos é de que esses licenciados sequer consigam entrar em sala de aula — balizados, por exemplo, nos processos seletivos. Outro é de que sigam carreira, despertando preocupação quanto à qualidade dos serviços prestados, como se deu recentemente diante do alto índice de reprovados nos cursos de medicina. 

"Tão importante quanto mantê-los nas salas de aula, é fazer com que quem chegue a elas esteja, de fato, preparado para tamanha responsabilidade."

        Cursos com as notas 1 e 2 no Enade podem sofrer ações de regulação por parte do MEC — entre elas, a suspensão de novas vagas ou matrículas. No caso das licenciaturas, existe um processo de reformulação em curso há um ano, incluindo a extinção de todas as formações EAD até maio de 2027 e a migração dos cursos dessa modalidade para a semipresencialidade ou presencialidade. Ainda assim, o boletim da semana passada evidencia um contingente de recém-formados com o diploma para docência e a necessidade de aprimorar o currículo. 

    Virar as costas para esses milhares de iniciantes é uma decisão delicada, sobretudo em um momento de baixo interesse pela profissão. A porta de entrada desses professores é a educação básica, onde se dá o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes e se pode iniciar a ruptura dos ciclos de desigualdade. Tão importante quanto mantê-los nas salas de aula, é fazer com que quem chegue a elas esteja, de fato, preparado para tamanha responsabilidade.

Fonte: Jornal Correio Braziliense - 26/05/2026


Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar (Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR).
Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)