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terça-feira, 21 de abril de 2026

Punimos o Brasil?


"Assim, que os "mitos da política" ocupem lugar na escuridão e possamos trazer a partir de uma real consciência política da sociedade melhores condições para a maioria da população." 

        Exatos 234 anos uma sentença era definida e até os dias atuais repercute enquanto o peso "real" de uma sociedade. Mas, para entender que país construímos ou que país ainda "esperamos conhecer" faz-se importante um breve mergulho e para compreender a formação de "mitos e lideres" no campo do poder. É nesse horizonte que temos o dia 21 de abril voltado a reverenciar a figura (de imagem incerta) de "Tiradentes" como um dos símbolos da nossa "identidade nacional".


"Depois de um julgamento de fachada, seis acusados foram condenados à forca. Tiradentes foi o bode expiatório. Outros cinco receberam clemência e foram banidos para Angola. Tiradentes foi levado ao cadafalso em 21 de abril de 1792. Após ser enforcado, foi decapitado e teve a cabeça exibida numa estaca de Ouro Preto. 
(Skidmore, p.54)


FONTE:http://dombarreto.g12.br/portal/tiradentes-o-21-de-abril-e-a-construcao-de-uma-identidade-nacional/


"Mesmo expulsos do Brasil, alguns inconfidentes conseguiram construir suas vidas com sucesso.Tomás Antonio Gonzaga foi condenado ao degredo em Moçambique, mas recebeu tratamento especial: ficou hospedado na casa do Ouvidor." 
(Rodrigues, André. p. 24, 2011).

Fonte: Revista Nossa História. 2005, nº18, p.43

"A trajetória desses personagens  prova  que o degredo não foi drástico para todos os inconfidentes, como conta nos livros. Para alguns, ele foi  o estopim para uma retomada de suas vidas." 
(Rodrigues, André, p. 25, 2011).

        Dessa forma, quase cem anos depois e em plena República, a figura de um "mártir" é consolidada para legitimar um regime que surgia (1889) para "unir" brasileiros em nome de uma única causa. Pensar nossos heróis é acima de tudo fazermos perguntas sobre suas trajetórias; não apenas o motivo de terem fim tão trágicos, mas, a partir da história conhecermos porque estavam ali e quais interesses representavam. Pensarmos historicamente Tiradentes é saber também que depois da sua prisão e devassa se descobriu que aquele homem (que a historiografia apresentou como pobre) possuía bastante posses para a época. 
     Você sabia? 
    Pois bem, segundo historiadores "o cidadão" Joaquim da Silva Xavier era dono:  de sítios, várias cabeças de gado, explorava cerca de 43 jazidas e ocultando a maioria dos bens (como faziam homens da elite local) da Coroa portuguesa para não pagar os impostos devidos. No entanto,  ficou no imaginário coletivo (e assim foi trabalhado ao longo de séculos nas bancas escolares) a ideia que na Inconfidência Mineira havia entre tantos componentes das elites mineradoras um simples alferes pobre e agora mártir. Fazia nascer no imaginário popular um homem que simbolizaria novos tempos republicanos em construção.


                                       FONTE:  https://www.todamateria.com.br/fernando-collor/


FONTE: https://escola.britannica.com.br/artigo/Luiz-Inácio-Lula-da-Silva/483342


FONTE: https://www.contatoonline.com.br/produtores-rurais-declaram-apoio-ao-presidente-bolsonaro/



                Portanto, pensar 21 de abril não consiste apenas saber que um "homem pobre" foi enforcado, que ele lembrava Jesus (há uma explicação histórica para essa semelhança). Mas, é demais importante entender que país  estamos ajudando a construir e qual modelo de sociedade desejamos.
     Se você já tem sua renda e estrutura garantida está na hora de deixar de negar a importância de fazer política e lutar para que possamos ter um país melhor e nunca forjado em figuras que vão ocupar o poder, "sangrar recursos públicos" e usar de uma retórica salvacionista (política ou mesmo religiosa) para chegar ao poder. 

"Será que valeu a pena tudo isso para pagar um salário de fome às empregadas domésticas e não ver mais pobres nos aeroportos, nos shopping centers e, principalmente, nas universidades? Afinal a Educação, a Saúde e a Previdência, agora sucateada pelo Estado capturado, abrem caminho para que essas áreas se tornem o novo negócios dos bancos, que controlam agora crescentemente essas áreas também." (Souza, Jessé. p.234, 2017)

    Assim, que os "mitos da política" ocupem lugar na escuridão e possamos trazer a partir de uma real consciência política da sociedade melhores condições para a maioria da população. 

Para leitura:

1- A elite do atraso: Da escravidão à Lava Jato. Souza, Jessé. 2017, ed. Leya.
2- Uma História do Brasil. Skidmore, Thomas. 2003, ed. Paz e Terra.
3- Revista  de História da Biblioteca Nacional. 2011, nº 67.
4- Revista Nossa História. 2005, nº18.

Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar (Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR).
Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Jesus Cristo

 

 Fonte: Ator José Pimentel (interpretando Jesus Cristo). Google imagens.

    Hoje eu trago registros de uma revista presente no meu acervo e guardada a quase 20 anos, você acredita? O melhor é que a matéria é de uma riqueza histórica e também espiritual, capaz de fazer você refletir a partir de cada argumento posto. Mas, se o tema é Jesus Cristo não há como não inquietarmos. Assim, apresento fragmentos da matéria publicada na Revista Super Interessante (Editora Abril - 2004) e, lembro bem deu muito o que falar!

    Mas, a proposta aqui é termos nosso momento de pensar científico e também o nosso lado espiritual mas, acima de tudo, perceber a completude das ideias e discursos de um homem que marca a humanidade (Ocidental principalmente) há mais de 2 mil anos.  Uma boa leitura e belo dia de Páscoa! 

                         

                              Fonte: Revista Super Interessante. Nº 199, abril 2004, p.42.

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"Um assassinato cometido há 2 mil anos ainda hoje provoca polêmica. Saiba quem são os acusados por esse crime e por que ele gerou um banho de sangue que durou milênios.

(Revista Super Interessante. Ed. Abril cultural. Nº 199, abril 2004, p.43. ).

    Para maioria dos cristãos,  a crucificação é o episódio mais importante da vida de Jesus. Conforme diz a Bíblia, foi ela que trouxe a todos os seres humanos o perdão pelos seus pecados. Também mostrou que existe um tipo de vida além desta aqui na terra. Também para os historiadores, a crucificação é o episódio mais importante, sendo o único ponto da história de Jesus que podemos dar como certo. Mesmo que não existisse os Evangelhos, temos nas palavras de  Flavio Josefo e do romano  Cornélio Tácito registros da existência de Jesus.

"Esta morte tão importante para religiosos e historiadores não foi um acidente. Alguém matou Jesus, e faz sentido, querer saber quem foi, E é aí que o problema começa. Josefo e Tácito escreveram suas obras décadas depois dessa morte e não viram o episódio. A mesma coisa ocorre com os discípulos de  Jesus. "Os cristãos não acompanharam o julgamento. Eles tinham fugidos quando seu messias foi capturado. Nada foi registrado pela elite sacerdotal ou pelo poder romano - Jesus era insignificante para eles." - diz o historiador Gabrielle Cornelli, da Universidade Metodista de São Paulo."

(Revista Super Interessante. Ed. Abril cultural. Nº 199, abril 2004, p.44).

    

    A elite judaica - "Tanto pelos relatos de Josefo quanto pelos Evangelhos, sabemos que Jesus foi levado ao Imperador por ordem de autoridades judaicas. Os Romanos - Como as Legiões romanos não podiam dar conta de duas ou três grandes rebeliões ao mesmo tempo, Roma governava em conluio com as elites locais.

                          Fonte: Revista Super Interessante. Nº 199, abril 2004, p.46.

   O povo Judeu - O Pilatos que está na Bíblia propõe que os judeus escolham entre soltar Cristo ou um bandido, Barrabas...

"O episódio é tido como um dos menos verossímeis  do Novo Testamento. "Não existe nenhum outro caso conhecido em que um Procurador romano fosse ouvir o que a população achava."

                     (Revista Super Interessante.Ed. Abril cultural. Nº 199, abril 2004, p.47).

    "Em 70 d.C, quando acaba a guerra contra os romanos, a elite judaica havia deixado de existir, o Templo está destruído e mais de 1 milhão de judeus mortos. Para os cristãos, que não se engajaram na guerra era como se Deus tivesse penalizado os judeus pela morte de Jesus." (Revista Super Interessante.Ed. Abril cultural. Nº 199, abril 2004, p.47)


    Jesus Cristo - "A história não tem como desvendar o que se passava na cabeça de Jesus quando ele resolveu desafiar os poderes de seu tempo. Só uma coisa não dá para discutir: deu certo."

                                       (Revista Super Interessante. Nº 199, abril 2004, p.47)
 Para ouvir: 

Oração de um jovem triste (Antônio Marcos)

Jesus Cristo (R. Carlos)



Para assistir: 
                          


 *Para ler:  




4- Quem matou Jesu? Revista Super Interessante. Editora Abril Cultural. Edição nº 199, abril 2004, p.42 a 51).

5- El Nuevo testamento. Version Recobro. 1994.




Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar (Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR).
Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)

sexta-feira, 6 de março de 2026

Nossa Revolução de 1817

"... pouco interessava avanço de um movimento revolucionário que buscava impactar em toda estrutura vigente ( econômica, política e principalmente social)."

             06 de março não é apenas uma data que marca um feriado e descanso. A "data Magna de Pernambuco de 1817" tem como marco a eclosão de um importante movimento de resistência e ruptura vivenciado ao longo de toda nossa história. Importante contar para todos que por aqui tivemos 75 dias de tomada do poder das mãos do staff português estabelecido (foi implantada uma República). Nossa elite e  expressiva parte da nascente "burguesia" local que trazia desejos de "liberdade" fossem civis ou econômicas foram os responsáveis pela primeira e única revolução ocorrida em terras brasileiras. Tomando por base leitura do historiador Machado (p.85, 1990) podemos entender que "A Insurreição Pernambucana de 1817, ao que tudo indica, foi um movimento liderado pela camada média, de pequenos e médios comerciantes, parte do clero, militares, funcionários públicos e profissionais liberais*

      Compreender o movimento de "força única" ocorrida ainda no século XIX é reconhecer bastante o país que vivemos, a política local e as próprias condições de vida hoje de milhares de pernambucanos enquanto distribuição de renda, condições de moradia e emprego. Conhecer a nossa História é refletir sobre o Estado que desejamos para nós e também para os  nossos filhos.

    Importante também destacar que, ainda é possível você visitar o acervo da  BPE e ainda encontrar no hall Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (BPE)  (para apreciação) um fragmento do painel "Revoluções" de autoria do artista plástico Corbiniano Lins (1924/2018). Esta homenagem e copilagem do painel original (localizado na avenida Cruz Cabugá) foi montado no período de 2016/2017 pela equipe da BPE sob a gestão da professora Roberta Alcoforado ao que paralelo homenageou o artista e importante cerimônia dirigida pela SEE. A equipe de trabalho (Hélio Monteiro, Andréa Batista, Marcos Mendes, Dernires Romualdo e Cícero Souza) também elaborou o Catálogo Histórico Cultural de Pernambuco, material publicado pela CEPE em 2017. Como também além de um painel ilustrativo da história da revolução você também encontrará no acervo atual da BPE uma literatura reservada esperando sua consulta. 

Adeus, Corbiniano Lins – Revista Algomais – a revista de Pernambuco

Fragmento do painel de Corbiniano Lins localizada na Praça Gal. Abreu e Lima, na Avenida Cruz Cabugá.


      Importante ainda destacarmos que, via um olhar mais profundo quanto rumos da Revolução de 1817, todo arcabouço de ideário levantado pelos revolucionários,  na verdade não se "ajustavam ao pensamento da classe" mais aristocrática rural uma vez que, pouco interessava avanço de um movimento revolucionário que buscava impactar em toda estrutura vigente (econômica, política e principalmente social).

."... é possível você visitar o acervo da  BPE e ainda encontrar no hall Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (BPE)  para apreciar um fragmento do painel "Revoluções" de autoria do artista plástico Corbiniano Lins."

  Desta forma, segue para sua apreciação vídeos ("Revolução de 1817").  Assista o filme completo que está disponível no link e confira.


Para ler:

Romualdo, Dernires. O filho de 1817. Editora Livro Rápido, 2017.

MACHADO, Teobaldo. As insurreições liberais em Goiana. CEPE, 1990.*

Caixa Cultural São Paulo apresenta exposição 100 de Corbiniano Lins - A festa!

Artista Corbiniano Lins morre aos 94 anos, no Recife


 Para assistir:


A Revolução Pernambucana de 1817

A Revolução Pernambucana de 1817

Revolução Pernambucana: 74 dias de liberdade

Revolução Pernambucana: 200 anos do marco republicano

                          

Booktrailler - O filho de 1817

A Revolução de 1817 e a independência do Crato Ceará


Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar (Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR).
Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)

sábado, 28 de fevereiro de 2026

EUA x Irã: O dia em que o futebol combateu a guerra entregando flores

"Será que o clima respeitoso de 1998 e de 2022 se repetirá nos gramados norte-americanos na Copa de 2026 ou a geopolítica?"

      Um dos três países sede da Copa do Mundo de 2026 ataca um dos 48 classificados para o torneio desde a manhã deste sábado. Não era assim em 21 de junho de 1998. Naquele dia, o planeta testemunhou uma das maiores demonstrações de afeto, respeito e tolerância em um jogo de futebol: EUA x Irã.

    Estádio Gerland, Lyon. Irã e Estados Unidos se enfrentavam pela segunda rodada do Grupo F da Copa do Mundo da França. Um dos dias mais aguardados do evento desde o sorteio realizado em dezembro de 1997. Foram seis meses de tensão até a entrada das duas seleções no gramado. Culpa do campo de batalha que se tornou a relação diplomática entre as duas nações ao longo dos anos 1970 e 1980. Em 1979, a embaixada dos Estados Unidos em Teerã foi invadida com o apoio do governo iraniano. Na sequência, houve a guerra Irã-Iraque. A Casa Branca escolheu ficar ao lado dos iraquianos. A queda de braço só terminou em 1988. A Fifa aproveitou os 10 anos do fim da guerra para promover o fair play justamente no duelo entre Irã e Estados Unidos na Copa. 

"Há possibilidade de EUA e Irã duelarem na Copa se ambos ficarem em segundo lugar nos respectivos grupos."

Enquanto o governo do Irã tratava a partida como mais uma guerra, os jogadores escolheram a contramão. Em 1984, o regime imposto no país matou o então capitão da seleção iraniana, Habib Khabiri. Ele era acusado de ter ligações com os Estados Unidos.

     O Irã deu de ombros para o governo e entrou em campo para jogar futebol. Venceu a partida por 2 x 1, gols de Estili e Mahdavikia. McBride descontou para os Estados Unidos. O duelo mediado pelo suíço Urs Meier ficou em segundo plano. A entrada das duas seleções no gramado do Estádio Gerland foi histórica.

"Culpa do campo de batalha que se tornou a relação diplomática entre as duas nações ao longo dos anos 1970 e 1980. Em 1979, a embaixada dos Estados Unidos em Teerã foi invadida com o apoio do governo iraniano."

    Depois daquele histórico 21 de junho de 1998, Irã e Estados Unidos se enfrentaram duas vezes. A primeira em um amistoso em solo norte-americano com empate por 1 x 1. A última na Copa de 2022. Os EUA venceram por 1 x 0. O craque Christian Pulicic fez o gol da vitória no Al Thumana Stadium, em Doha, diante 42.127 torcedores. A maioria iranianos. O país é um dos grandes aliados do Catar, fica próximo e tem uma imensa colônia no país. Será que o clima respeitoso de 1998 e de 2022 se repetirá nos gramados norte-americanos na Copa de 2026 ou a geopolítica? O Irã está no Grupo G na primeira fase. Enfrentará a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles; e o Egito em Seattle. Há possibilidade de EUA e Irã duelarem na Copa se ambos ficarem em segundo lugar nos respectivos grupos.

                                                                                     Autor: Marcos Paulo Lima


Para assistir:

(EUA x Irã - Copa do Mundo 1998)

Para ouvir:
Paz pela paz (Nando Cordel)

Para ler:




Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar (Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR).
Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Fevereiro e o "quase".

 "Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.  Assim, não deixe que a saudade sufoque; que a rotina te acomode; que o medo impeça de tentar."

        Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda; que me entristece; o quase que me mata. Trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.  Quem quase ganhou ainda joga... Quem quase passou ainda estuda... Quem quase morreu ainda está bem vivo... Quem quase amou não amou mesmo. 

    Então reflitamos: basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos. Basta pensar nas ideias que nunca saíram do papel por essa maldita mania de viver no outono, primavera...

"A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos pra decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são."

    Às vezes me pergunto: "o que nos leva a escolher uma vida morna ou morgada..."? Às vezes nem me pergunto, contesto veementemente. As respostas eu sei de cor... ela está estampada na distância das presenças. Ela está visível na frieza dos sorrisos. Ela está frustrante na frouxidão dos abraços. Ela está sem alma na indiferença dos "bom dia! boa tarde! Oi! como vai!".

    Quase tudo isso sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos pra decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude tivesse no meio termo o mar não teria ondas; Os dias seriam nublados; O arco-íris seria em tons de cinza. O nada não ilumina. O nada não inspira, não aflige e não acalma. O NADA apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

    Não é que a fé move montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Na verdade, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência,  porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

"O passado é uma roupa que não me serve mais."

(Velha roupa colorida - Belchior)

    Pros erros há o perdão; Pros fracassos, há a chance; Pros amores impossíveis há o tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma. 

    Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.  Assim, não deixe que a saudade sufoque; que a rotina te acomode; que o medo impeça de tentar.

"Faz parte da vida arriscar-se por um sonho.... Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!

(Carlos Drummond de Andrade)

    Desconfie do destino e acredite em você; gaste mais horas realizando do que sonhando; gaste mais horas fazendo do que planejando; gaste mais horas vivendo do que esperando... faça as mudanças necessárias.

Porque quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Para refletir:

Esperança (Mario Quintana)

Para viver um grande amor (Carlos Drummond de Andrade)


Para ouvir:


Maria, Maria (Elis Regina)

Paciência (Lenine)

Sem medo (Oswaldo Montenegro)

Velha roupa colorida (Belchior)


Alberto Leal

Escritor

Professor - Língua inglesa

Pós-graduado Psicopedagogia

Professor Rede Estadual de Ensino

Ex-coordenador Biblioteca Escolar.


domingo, 25 de janeiro de 2026

Somos e não somos nem tanto humanos

    Somos humanos, não somos desumanos.  Somos amados, não somos desalmados.  

    Somos aniversários do latim, o significado: que volta todos os anos, embora, diz o ditado: vida é uma via sem volta mas, cada ano é exaltado por ter ficado sano e dos males todo curado. No entanto, já no outro lado chegou a hora da ida, sem volta, todo lembrado tristemente lamentado,  todos solidários da dor, sentimentário do amor  solitários quando nos deixou.

    A vida é mesmo assim, estranha pra você, pra mim. Chegamos sem nada,  lutamos em tudo por tudo, no final, não levamos nada, de verdade, deixamos tudo. Pensando com efeito, não somos perfeitos,  nem tão direitos,  cometemos erros, tanto quanto acertos. Citando Anselm Grün, podemos até trazer que - "A perfeição pode ser verdadeira quando referente a uma obra isolada, mas as pessoas nunca são perfeitas."

    Comum tropeçarmos,  incomum não tentarmos, é o risco de falharmos, quando  de mal jeito caímos, aí nos machucamos, mas, sempre seguimos  quando bem levantarmos, e assim continuamos aprendendo, crescendo,  crescendo, reaprendendo  apanhando, perdendo, ganhando, vencendo.         Somos muito gratos e jamais sermos ingratos por essa oportunidade  de viver integralidade da existência. Sem preço, só a Deus com apreço  é dado o nosso destino. Só ele dá o endereço  como chegar ao Pai Divino.

Para ler:

GRÜN, Anselm. A arte de ser mestre de si mesmo para ser líder de pessoas. São Paulo: Vozes, 2014, 175p.


Para ouvir:

Deus está aqui (Pe. Marcelo Rossi)

A deusa dos Orixás (Mariene de Castro)

Pensando  bem (J. Neto)


Alberto Leal

Escritor

Professor - Língua inglesa

Pós-graduado Psicopedagogia

Professor Rede Estadual de Ensino de Pernambuco

 Ex - coordenador Biblioteca Escolar





sábado, 17 de janeiro de 2026

Você constrói as suas memórias.

     "O ser humano é falho. Hoje mesmo eu falhei. Ninguém nasce sabendo então, me deixe tentar."

(Projota - O homem que não tinha nada)

"Os velhos inteligentes, agradáveis e divertidos suportam facilmente a velhice, ao passo que a acrimônia, o temperamento triste e a rabugice são deploráveis em qualquer idade.

(Cícero, Marco Túlio. (100 a.C) -  Saber envelhecer - seguido de amizade)


        Quando vale a pena sorrir?  

        Devemos sorrir muito mais sempre que estivermos juntinhos de alguém que  seja especial para nós. Mas, além de sorrir é importante que aquele (a) que esteja ao nosso lado também  sorria e que seja um sorriso leve, muito divertido. Afinal, quando o tempo passar vamos lembrar para sempre daquele sorriso bonito. Por que ter medo? 

     Abrace quem você ama, deite ao lado dele (a), faça cócegas, divida aquele pedacinho de chocolate ou simplesmente deite ao lado e escute aquela música ou acompanhe uma série da Netflix. Pare de pensar que "perderá o seu domingo ou feriadão", pois, logo perceberás que os dias sempre serão repetidos mas aquele momento não voltará jamais. Vale a pena sorrir, principalmente quando percebemos que o tempo passa mas quem tanto amamos jamais nos esquecerá. Assim é a vida.
       Não há de se arrepender ao valorizar os poucos mas, verdadeiros amigos; abraçar seu filho diariamente e falar mil vezes que o amo; ligar inúmeras vezes para sua  mãe e ouvir as mesmas histórias; falar com parentes. 
     Hoje, com o sol raiando forte e olhando logo cedo aquela velhas fotos arquivadas na memória do celular passaremos a compreender o quanto foi importante saber viver cada momento. Quando vale a pena sorrir? 
    Quando sabemos colocar em práticas os verdadeiros valores. Quando pequenos gestos são repetidos sem receios e principalmente quando entendemos que o físico um dia desaparece e ai sim, postar fotos, escrever frases perfeitas farão sentido uma vez que estarão carregadas de  verdadeiros sentimentos e histórias que merecem serem (re) contadas.


Para ler:

Cícero, Marco Túlio.  Saber envelhecer - seguido de amizade.

Para ouvir:
Ana Vilela (Trem bala)

Projota (O homem que não tinha nada).


Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar (Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR).
Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)