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domingo, 25 de janeiro de 2015

Acervo roubado.

Fonte: DP - 25-01-2015 - p. A9.

         Chama  atenção a notícia acima não apenas por abordar  acervo do Nação Pernambuco, mas, faz-se necessário tecermos reflexão para o que também ocorre com a questão da preservação memória cultural. Afinal, onde estão aqueles gestores responsáveis por proteger  o patrimônio maior de toda a nossa sociedade? Por qual motivo se negam ouvir apelo das outras entidades e Gts interessados e as  diversas matérias publicadas na mídia para que cuidem mais da nossa riqueza? Por outro lado, onde estão os pesquisadores? Será que um acervo só nos é útil quando colhemos nossas informações, escrevemos nossas teses e recebemos prêmios? Não!
     Vejo que, assim como o acervo que foi roubado em Olinda, temos aqui no Recife também outros que estão praticamente abandonados ou "roubados". Precisamos aproveitar este momento de "revigoramento da nossa política e alertarmos o governador Paulo Câmara, os Gestores dos órgãos públicos, pesquisadores das Universidades (UFPE, UFRPE) para que  juntos ampliem o cuidados com o que guardam por décadas. Não podemos nos furtar hoje e amanhã sermos surpreendidos com notícias que prédios públicos estão com extintores vencidos, vazamentos hidráulicos, projetos apenas pontuais e no pior; acervo literalmente roubados.
       Como um cidadão, deixo o espaço aqui aberto para que aquele que deseje acompanhar o meu "sonho" venha agora!

terça-feira, 11 de março de 2014

2º dia - Congresso Internacional 50 anos do Golpe e a Nova agenda da Justiça de Transição no Brasil.





               Aconteceu hoje o segundo dia do Congresso Internacional - 50 anos do Golpe e a Nova agenda da Justiça de transição no Brasil. Durante o horário da manhã houve apresentação do Painel 2 e a exibição do filme dirigido por Angela Zoé em parceria com o Projeto Marcas da Memória da Comissão da Anistia. A exibição foi na verdade uma  Pré-estréia nacional - NOSSAS HISTÓRIAS.

          A mesa do Painel 2 teve a seguinte composição: Rebecca Atencio (Professora de Literatura, Tulane University, EUA); Manuel - Reyes Mate Rupérez (Filósofo, Espanha); Valéria Barbuto (Memória Abierta, Argentina); Cath Collins (Pesquisadora, Universidade Diego Portale/ Ulster University, Chile/ Irlanda do Norte).

        Os debates levantados tiveram como ponto central apresentar não apenas os conceitos de cultura e memória, mas principalmente refletir como e até que ponto as ditaduras e os seus opositores buscaram preservá-la na sua ótica. Foi importante por demonstrar que ainda hoje, principalmente nos países vizinhos ao Brasil e onde o regime de repressão atuou mais intesamente esse conflito de "imposição" cultura e memória permanece forte. Memória que é (re) alimentada a cada dia desde preservação de um patrimônio público ao escutar a história de um perseguido ou familiar de desaparecido político.
     Cito algumas passagens que tive o cuidado de anotar e apresentar um pouco meu entendimento, não esperando que seja um transcrição literal mas sim, uma aproximação do que foi dito durante os 25 minutos de palestras proporcionada a cada participante.

Manuel - Reyes : 

"Há de existir uma proposta para que a barbárie não se repita; Esse propósito é a memória".
"O ato da memória desperta também o arrependimento".

Valéria Barbuto:


"O desafio na Argentina é fazer o jovem resgatar a historia dos desaparecidos. Essas ações são através de filmes, livros, músicas".
"O valor de tudo não esta apenas nos livros e sim  nas relações constituídas como memória".

Rebecca Atencio:

"Vamos ver se a Comissão Nacional da Verdade será um "divisor de águas" na historia do Brasil".
"Não é a primeira vez que existem Comissões".
"O Brasil é um caso único em que o caminho da justiça é muito mais lento que em outros países, fazendo assim com que, a produção cultural seja mais rica por aqui".

          No final da manhã tive  ainda tive o prazer de fazer companhia (almoço) e uma longa conversa informal com um amigo no qual tenho ampliado a cada dia minha admiração pela capacidade de argumentação e problematização de questões dos mais variados temas. Assim, durante o intervalo o colega de debate lançou a seguinte questão: Como é que um evento de porte internacional, organizado e apoiado por instâncias federais e estaduais decidem trazer pessoas tão habilitadas para o debate e proporciona apenas 25 minutos para cada um? Por que não trouxeram ao menos dois, ampliariam o tempo de debates e direcionaram recursos para outras formas de justificar os recursos públicos investidos?
         Infelizmente não chegamos ao consenso, porém, a certeza que o evento foi mais uma vez de significativa relevância e possibilitou até mesmo compararmos como no Chile ocorreu os eventos de (re) memória 40 anos depois (2013) em relação ao Brasil que agora discute os 50 anos de passagem do Golpe Civil-Militar ou para muitos a Revolução democrática.



Cícero Souza - Pesquisador do acervo DOPS.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Vivenciando Turismo - Nossos casarões x verticalização.



Pernambuco, "a Veneza brasileira" é um patrimônio aberto  para o mundo, contando  com centenas de atrativos turísticos, cheio de paisagens naturais e de uma grande riqueza histórico-cultural. Observamos e falamos tanto de cenários como Boa Viagem e Porto de Galinhas; belas igrejas; o Instituto Brennand; Fortes que nos cercam, e acabamos esquecendo de uma riqueza tão próxima e um tanto ameaçada pela dita verticalização e novo padrão de arquitetura; estou aqui alertando para contemplarmos um pouco  os antigos Casarões.Poucos por sinal, que ainda encontramos em alguns bairros da Cidade, atrativos  que deveriam preservar para valorização do nosso espaço urbano e também apresentarmos aos turistas, aos moradores apressados que passam sem ao menos conhecerem um pouco do valor histórico e sociocultural. Quem não gostaria de visitar um casarão em que há grandes curiosidades e que residiu um ilustres  da nossa historiografia ou até mesmo anônimos mas que deixaram suas raízes fincadas nos quatro cantos das velhas residências? Casarões existentes na Rosa e Silva, Rui Barbosa, no Recife Antigo e em Olinda, que poderiam ser melhor utilizados, afinal, são nesses lugares onde podemos encontrar um pouco da história de nosso povo. Para isso, sociedade civil, setores de preservação, gestores, Academia e profissionais da área  devem enxergar além de sol, mar e Igrejas, necessitam sim,  buscar nossas histórias, nossas raízes e olhar para o passado fruto de um valor que não fica restrito ao aspecto econômico e sim, o aspecto memória que constrói valores, marca identidade de uma cidade que é feita acima de tudo de gente genuinamente pernambucana.

Autores: César Lui / Léah Silva / Cícero Souza.


















(IMAGENS COPIADAS - Blenda Souto Maior )DP- 02/12/2012 - Vida Urbana / C4