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segunda-feira, 11 de maio de 2020

A carta de Fernanda Montenegro recusando convite para Ministério da Cultura do governo Sarney..


A carta de Fernanda Montenegro recusando convite para Ministério da Cultura do governo Sarney, há 35 anos



"Querido amigo José parecido de Ollveira,
Como cidadã sempre fiz do meu ofício um instrumento de participação política. Como artista fiz a minha participação política dentro do meu ofício, fora de flliação partidária, pois compreendo que o palco é, definitivamente, o espaço mais livre que o homem jamais criou. Se olharmos os palcos de um pais, saberemos exatamente que país é esse.
Desde a adolescência venho, a princípio intuitivamente, mais tarde conscientemente, me expressando através dos mais variados textos, percorrendo, democratlcamente, os mais diversos gêneros teatrais, sem qualquer preconceito, na medida em que, para mim, um artista do palco tem que dar voz às mais diferentes manifestações da dramaturgia. Com isso, deixo claro que, no meu entender, o palco é o meu espaço também político.
Comovida, feliz e honrada, vejo a lembranca do nome de uma atriz para o Ministério da Cultura como uma conquista histórica, culturalmente falando.
Recentemente, artistas deste país foram convocados para um grande futuro e uma grande mudança. As oposições políticas armaram palanques, esses mesmos artistas, preparando o espetáculo, "esquentaram" as multidões nas praças, fortalecendo lideranças ainda não confiantes em si mesmas como comunicadores. Uma vez fortalecidas, essas lideranças políticas ocuparam o centro dos palanques. Os artistas, cumprida sua missão, recuaram. As massas humanas se impuseram. A partir daí, todos nós, irmanados, começamos a construção de um Brasil novo.
Para aqueles que veem, preconceituosamente, a indicação de um artista para um tão alto cargo, respondo, sem exagero, que esse Brasil novo nasceu num palco armado na praça. Cogitar um artista para um Ministério é prova do amadurecimento político deste país, no seu todo. É um arejamento depois de tantos anos de asfixia. Pobre do pais cujo Governo despreza, hostiliza e fere seus artistas.
Esse Brasil acabou.
A sondagem que me foi feita, autorizada pelo presidente José Sarney, revela o gesto limpo, independente e original do homem que, dirigindo a Nação neste momento de tanta esperança, deposita sua confiança numa brasllelra entuslasmada e consciente.
A esse convite devo responder com a mesma limpeza de propósitos. Vejo o Mlnistério da Cultura como o cerne do atual Governo. No meu entender, nenhum outro lhe é superior. Ele dará o tom da Nova República. E, para não ser assim, melhor seria não tê-lo criado, permita-me dizer-lhe com todo o respeito e confiança. A participação nessa esfera não pode ser exercida num quadro de nostalgia, de perda ou de degredo.
Diante da sondagem que me foi feita, repasso minha vida e, feliz ou Infelizmente, compreendo que o meu amor profundo para com o exercício do Teatro ainda não foi esgotado. Ao contrário: está mais vivo do que nunca. Deixando agora o Teatro, a sensação que eu teria seria a de uma vida inacabada. Creio firmemente que cada cldadão deva exercer sua arte ou seu trabalho em conformidade com a sua vocação. Estaria sendo leviana se, pensando desse modo, agisse de outro.
Não é fácil dizer nao.
Não vejo que seja mais fácil decidir pelo Teatro. Ou mais seguro. O Teatro nunca foi fácil ou seguro.
Mas é esse o meu lugar.
Tenho certeza de que todos os intelectuals, artistas e entidades de classe que me demonstraram apoio, através de cartas, telegramas, telefonemas e visitas, compreenderão a minha opção.
Pode parecer uma frase bombástica e teatral, mas não devemos temer nem o Teatro nem as palavras; não estou preparaa para partir.
Nesses novos tempos, gostaria que você, Aparecido, assim como o Presidente José Sarney, entendesse que a melhor maneira de prestar meus serviços à cultura brasileira é permanecer no palco, onde continuarei à disposição do meu pais, humildemente.
De sua amiga, cujo sentimento básico é a fidelidade"
Fernanda Montenegro



domingo, 10 de maio de 2020

Futebol e Política se debatem sim!



SÃO PAULO

Raí pede renúncia de Bolsonaro e diz que São Paulo é contra retorno do futebol

Diretor-executivo de futebol do tricolor fez duras críticas ao presidente

 postado em 30/04/2020 10:41




O diretor-executivo de futebol do São Paulo, Raí, deixou de lado o seu discurso geralmente sem polêmicas e fez duras críticas ao Presidente da República Jair Bolsonaro. De acordo com o dirigente tricolor, o ideal seria que o político renunciasse ao cargo para evitar um processo de impeachment em razão de suas decisões.


"Se perder a governabilidade, eu torço e espero uma renúncia para evitar o processo de impeachment, que sempre é traumático. Porque o foco tem que ser a pandemia. (O impeachment) não é uma coisa que tem de se pensar agora, energia nenhuma pode ser gasta nisso, mas se estiver prejudicando ainda mais essa crise gigantesca de saúde, sanitária, tem que ser considerado", disse o dirigente, em entrevista ao Globoesporte.com.
Raí criticou a postura do presidente em relação a forma com que está combatendo a pandemia do coronavírus. "Um posicionamento atabalhoado, é o mínimo que se pode dizer. Naquele momento, por exemplo, que ele deu aquele depoimento em rede nacional... Ele está no limite, muitas vezes, da irresponsabilidade, quando ele vai contra todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde", opinou.
O dirigente também deixou claro que sua irritação com Bolsonaro não se resume apenas pela forma com que ele está tratando a covid-19, mas também como administra o País. "Outro absurdo do Bolsonaro é inventar crises políticas ou de interesses próprios, familiares, no meio de uma pandemia. É inaceitável. Tenho certeza que muita gente concorda, inclusive alguns apoiadores do Bolsonaro. Ele foi eleito democraticamente, mas a própria democracia está conseguindo frear", continuou.
O diretor afirmou que o São Paulo é contra o retorno precoce do futebol brasileiro, apesar da situação financeira delicada que o clube, assim como a maioria dos outros times pelo Brasil, vive. "É bom deixar claro e reforçar que a posição do São Paulo não é voltar rápido. É voltar ao seu tempo, com as orientações, e gradativamente, começando obviamente o treino sem uma data certa de quando o campeonato vai retornar."
Mantendo um discurso direto e até fugindo de seu estilo de entrevistas, Raí reclamou até mesmo do presidencialismo. "Eu acho que isso me fez até questionar o presidencialismo. Estar sujeito a uma pessoa como essa, a um presidente como esse, que foi eleito democraticamente, mas que toma decisões que confundem completamente a população. Por causa dele, e aí o cálculo pode até ser feito, milhares de mortes a mais vão acontecer", completou.

sábado, 9 de maio de 2020

Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco - 168 anos



   Conheça o acervo de livros e documentos da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (Fundada em 05 de maio de 1852). 
      A BPE está localizada na rua João Lyra, s/n, bairro de Santo Amaro (ao lado do Parque 13 de maio). Participe dos eventos culturais, visite também o Setor Circulante, faça o seu cadastro e seja sócio (empréstimo gratuito de livros de várias áreas).
        Tenho orgulho ter atuado junto a equipe de bibliotecários, professores e demais profissionais que compõem aquela bela família. Feliz por saber que deixei amigos, descobri novos e outros reencontrei. Muito bom ver o quanto zelam e prestam o belo serviço para toda uma sociedade. Parabéns a todos que fazem nossa Biblioteca Pública chegar aos seus 168 anos com tanta vitalidade e inspirando novas gerações no ato de valorizar a leitura.




Onde estava a Secretária de Cultura Regina Duarte?




           Onde estava Regina Duarte quando o Brasil foi varrido por uma grande turbulência nacional que teve início com a deflagração do Movimento civil-militar em 31 de março de 1964 e teve fim em março de 1985? Onde estava a pessoa Regina Duarte quando o jornalista Herzog sumiu e pouco tempo depois teve o corpo "encontrado sob enforcamento em suposto suicídio"? Onde mesmo estava Regina Duarte quando milhares de trabalhadores do ABC Paulista e diversas partes do país saiam as ruas pedindo reajuste salarial, melhores condições de moradia, educação? Onde será que estava a Regina Duarte quando estudantes em 1968 foram as ruas e reagiram contra a reformação do ensino público universtário que caminhava para plena privatização e cobrança de mensalidades.
        Eu sei onde ela estava (com certeza não sei o nome das mais de dezenas de novelas que ela participou pela Rede Globo nesses 40 anos),todos sabemos. Regina Duarte estava no seu "mundo dos sonhos" e alimentado por milhões de brasileiras e brasileiros , afinal, ela era a "namoradinha do Brasil"; na verdade, um Brasil "inerte, acéfalo" e alimentador de mitos. Assim, não me surpreende a fala preconceituosa, desrespeitosa (ao profissional de imprensa, a colega de trabalho e aos brasileiros do século XXI e que contabilizados hoje são 10 mil mortos (vitimados até o momento pelo COVID-19) e agora trucidados por sua fala infeliz ainda do século XIX e XX.
      O que pergunto, onde estava Regina Duarte, é naquele momento que em sua sala na Esplanada dos Ministérios em entrevista internacional parecia realmente estar "dopada" pelo atmosfera quase mortal que nos últimos 365 dias mata milhões de brasileiros quando o Presidente Bolsonaro faz chacota com a situação de quem esta sendo vitimado pela Covida-19, clama por uma intervenção militar, volta do AI-5, humilha jornalistas que estão fazendo seu trabalho e exalta atitudes machistas e preconceituosa. Pelo jeito, tanto Regina Duarte como milhões de brasileiros leram a "cartilha da arrogância" que está no principal gabinete em Brasília e decoraram a lição.



Regina Duarte não para de ser criticada; mas bolsonaristas defendem




CULTURA SEM VEZ


Regina Duarte não para de ser criticada; mas bolsonaristas defendemArtistas condenaram fortemente fala da secretária especial de Cultura em canal de TV e parlamentares querem que ela dê explicações




https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2020/05/09/interna_politica,1145771/regina-duarte-nao-para-de-ser-criticada-mas-bolsonaristas-defendem.shtml?utm_source=hardnews&utm_medium=hardnews&utm_campaign=score&utm_term=fly-by&fbclid=IwAR0efHhJ0TOU9WIFfQgn_T50KAZPEdhBmvzUPhmtv_QY-kJhskSNdKHs46Y - acesso: 09/05/2020

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Svetlana Aleksiévich: "Na Bielorrússia vivemos em situação no estilo de Chernobyl"



Svetlana Aleksiévitch: “Na Bielorrússia vivemos uma situação no estilo de Chernobyl”

Prêmio Nobel de Literatura denuncia que Lukashenko minimiza perigo do coronavírus e coloca a população em risco.


"O presidente da Bielorrússia, Alexandr Lukashenko, menospreza a propagação do coronavírus em seu país e diante desse líder desafiador está uma “sociedade assustada, doente e incapaz de se opor” quando é mandada às ruas para comemorar desafiando o perigo. É o que diz em Minsk a escritora Svetlana Aleksiévitch, prêmio Nobel de Literatura de 2015. Algo semelhante aconteceu em 1986 depois do acidente na usina nuclear de Chernobyl, diz a grande cronista daquela tragédia em uma entrevista por Skype ao EL PAÍS."

"“Há mais de 25 anos a Bielorrússia é dirigida por Lukashenko. Estamos diante de um sistema autoritário e de uma sociedade adormecida e atrofiada. A sociedade não foi treinada para a independência, nem para a crítica e a autoproteção e nem sequer desenvolve essas faculdades. A sociedade civil é apenas um embrião”, conclui a escritora."

"Lukashenko e os meios de comunicação oficiais minimizam o perigo do coronavírus e o presidente, ignorando os conselhos da Organização Mundial da Saúde, convocou um grandioso desfile no dia 9 de maio para comemorar o 75º aniversário do fim da guerra com a Alemanha nazista. O líder garantiu que ninguém seria obrigado a comparecer, mas outras vozes chegam dos centros de trabalho. “A realidade é que as pessoas não querem ir ao desfile e que organizações e fábricas foram informadas de quantas pessoas devem ir, por isso é um comparecimento ‘voluntário-forçado’. Não haverá um único convidado importante. É difícil saber o que Lukashenko pretende”, diz Aleksiévitch, e qualifica as comemorações de “espetáculo tragicômico que resultará em um novo surto do vírus”."







Revista médica defende: Bolsonaro deve mudar ou "ser o próximo a ir embora"

Revista médica defende: Bolsonaro deve mudar ou "ser o próximo a ir embora"

Para The Lancet, uma das mais importantes publicações de saúde do mundo, o "Brasil, como país, deve se unir para dar uma resposta clara ao 'E daí?' de seu presidente".