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domingo, 23 de março de 2014

Dia internacional do Direito à Verdade.

Dia Internacional do Direito à Verdade - 23/03/2014 - 20h 34'

              A ONU – Organização das Nações Unidas, tendo em vista a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e outros instrumentos internacionais de direitos humanos, proclamou o dia 24 de março como o Dia Internacional para o Direito à Verdade em relação às Graves Violações dos Direitos Humanos e para a Dignidade das Vítimas.  A Resolução da ONU que criou o referido Dia convidou todos os Estados Membros e as organizações do sistema das Nações Unidas a observarem essa data. Pernambuco de pronto atendeu ao apelo da ONU, incluindo no seu Calendário Oficial de Eventos, o que fez pela Lei nº 14.790, de 8 de outubro de 2012. Esse Diploma legal estabelece que o dia 24 de março é dedicado à reflexão coletiva a respeito do conhecimento circunstanciado das situações em que tiverem ocorrido violações graves aos direitos humanos, seja para a reafirmação da dignidade humana das vítimas, seja para a superação dos estigmas sociais criados por tais violações.

              A Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara não poderia deixar de dirigir aos pernambucanos uma palavra de estímulo à perseverança nos ideais de liberdade e democracia, de repúdio absoluto às graves violações de direitos humanos. Por força do que dispõe a Lei nº 14.688/2012, estamos investigando as violações ocorridas em Pernambuco de 1964 até 1985, e mesmo fora do Estado, desde que contra pernambucanos. O nosso objetivo é encontrar a verdade e dizer a verdade. Muitas pesquisas foram feitas até agora e muitas revelações foram repassadas às famílias dos mortos e dos desaparecidos, à sociedade em geral. Foram 21 anos de ditadura. Período infeliz de nossa história em que brasileiros, tão brasileiros como nós outros, em 1964, decidiram romper com a ordem constitucional no Brasil, depor o presidente da República, governadores de Estado, como o governador de Pernambuco, Miguel Arraes de Alencar, cassar mandatos eletivos. 

              O fato é que muitos brasileiros sofreram durante esses anos, muitos foram torturados e mortos. Outros continuam desaparecidos, fazendo com que suas famílias sofram até hoje, e continuem dizendo, como Dona Elzita Santa Cruz “onde está o meu filho?”. A manutenção da memória e a busca incessante da verdade não é apenas um dever moral de todos nós, mas também um imperativo para o aperfeiçoarmos da democracia e da estabilização da vida política do nosso País e do nosso Estado, fomentando cada vez mais uma cultura de tolerância e uma convivência respeitosa entre pessoas que pensam diferente. Exaltar essa data é fortalecer, pois, a democracia, porque significa dizer que estamos vigilantes e prontos a defender todos os que tenham seus direitos de homem e de cidadão violados.

COMISSÃO ESTADUAL DA MEMÓRIA E VERDADE DOM HELDER CÂMARA

quarta-feira, 12 de março de 2014

3º dia - Congresso Internacional 50 anos do Golpe e a Nova agenda da Justiça de Transição no Brasil.

                                                                  Mesa do 3º Painel.

           O 3º dia de realização do Congresso Internacional na UNICAP/PE foi marcado muito mais por questionamentos provocativos do que necessariamente respostas.
          O Painel 3  - Trauma e Polícas de Reparação para graves violações de Direitos Humanos - teve início as 9h e a Mesa de debate foi assim composta:
Doudou Diéne (Relator Especial da ONU); Pamela Graham (Cientista Política, Columbia University, EUA); Pablo Galaín (Jurista, Uruguai); José Benjamim Cuellár (IDHUCA - Instituto de  Derechos Humanos da Universidade Centro Americana, El Salvador).
          Formada a Mesa e aberta o espaço aos palestrantes o público esperava resposta concretas pautado no que esta ocorrendo no Brasil quanto a temática em questão, no entanto, os especialistas procuraram a todo momento analisar o que se pedia mais pautado numa comparação quanto reparações ocorridas no Uruguai, Argentina, El Salvador e até mesmo o que é discutido nos EUA e Europa, fazendo assim um contraponto ao que foi instituído no Brasil desde a implantação da CNV.
       Durante a palestra, alguns pontos ganharam atenção ao serem levantados pelos estudiosos:

Doudou Diéne: Proferiu toda fala em língua inglesa. Procurou pontuar pontos como ideologia, Direitos humanos e Brasil.

Pamela Graham - Los archivos en los procesos de Verdad y reconciliación :

"O papel do dos arquivos é um marco".
"É necessário se trabalhar por medidas de preservação dos arquivos e acesso".
"Sobreviveram os documentos criados pelo próprio regime?".
"Os arquivos são partes importantes pra contar a memoria do passado".
"É preciso educar o cidadão para os Direitos Humanos".


Pablo Galaín: 



"É um grande avanço o fato das Cortes Penais julgarem o individuo e não apenas o Estado".
"A publicidade tem um caráter preventivo para o futuro (é uma reparação simbólica).
"Podemos falar Justiça em transição?".
"Quais as formas de reparações a serem implementadas?".
"Quanto tempo tem uma reparação?".
"Quem averigua?".
"A vítima tem o direito de saber o nome do seu torturador".
"Os Projetos políticos não se preocupam com os direitos da vítima".
"Castigar o autor ou reparar a vítima?".
"É um direito da vítima ter o castigo do culpado?".
"Depende do momento e das forças de poder".
"Ausência de pena não consiste impunidade".
"Reparação poderá ser: Livros, espaço público, museus".
"O processo brasileiro de reparação é satisfatório?".

José Benjamim:

"Nas Forças Armadas de El Salvador foi criada uma Comissão para investigar atuações".
"Em El Salvador o Programa Nacional de Repações (23/10/2013) paga entre US$ - 55 a 1.200 mil; enquanto o Conselho de Anistia Internacional avalia em até US$ 25 mil".

                Concluída as palestras, o público foi apresentado a uma breve apresentação do Filme (Curta) -  Lua do Penar. O trabalho resgata a história de Hiram Pereira de Lima, desaparecido político (1975 - DOPS/SP). Leila Jinkings e Sidnei Pires foram os diretores do fiilme, mas durante apresentação a filha mais nova do Hiram Pereira apresentou um breve histórico do que vivenciou.

Hânya Pereira:

"Aos 13 anos de idade lembra que  mãe foi torturada".
"A razão do pai era a família".
"O pai dizia que nunca seria um bom revolucionário porque não conseguiria sair apenas com a escova e a bolsa".
"Aos jovens é importante que defendam causa, mas cuidado para não dispersar. Escolha uma causa, mesmo que não fique conhecida, faça uma sociedade melhor".


Sidnei Pires e Hânya Pereira.

           No curta, há depoimento de várias pessoas que vivenciaram a trajetória do Hiram Pereira, dentre os nomes destaco: Marcelo Marcos de Melo; Hugo Martins (Guri); Ardyjam Ferreira; Ariano Suassuna entre outros. No documentário, Ariano Suassuna faz o seguinte relato: "Hiram, eu não sei para onde você vai ou quem vai ficar com você; pois, eu não sei se resisto a tortura".

*Mesmo após o desaparecimento (morte) do Hiram Pereira as escutas e vigilância contra a família continuou por mais dois anos (1977).

         No Hall do Bloco G por volta das 13h foi montado espaço para lançamento de obras, recitação de poemas e debates.











Registro fotográfico: Cícero Souza - arquivo pessoal.

Cicero Souza - Pesquisado do acervo DOPS.