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sexta-feira, 23 de abril de 2021

Tem Levino Ferreira, tem SóSucesso e tem frevo.

 Quanta surpresa. É comum quase sempre acreditar que nada mais nos surpreenderá mas de repente você recebe "aquela pancada" que vem de repente e te leva a refletir. Faz um certo tempo que conheci o trabalho produzido pela SóSucesso! e ao conversar com um dos componentes sobre a música e a musicalidade sempre me surpreendia por perceber o quanto "não sabia o que achava tanto saber". Por outra, era provocado a sair da "minha zona de conforto" musical e mais uma vez sempre sobrava para refletir cada vez mais e na última semana recebi o link do blog (SóSucesso!) que tratava de frevo (enquanto seus atores e autores) como também a musicalidade "que conhecemos; pensava que conhecia!

Pois bem, dessa vez a surpresa vem pelo fato do resgate de uma figura pouco lembrada, autor de músicas que quando criança "balbuciava", porém, sem saber de quem, quando ou mesmo o porquê! A segunda surpresa é que o texto-crítico da semana foi escrito por um jovem que nem ao menos era nascido quando eu ainda era criança e dançava no terraço da minha casa, mas esse jovem escreve com uma autoridade e qualidade que parece mais que não só estava naqueles carnavais dos anos 80, mas parece que organizou cada movimento daqueles tempos. Foi assim que me senti ao ler o texto do Mateus Otaku na SóSucesso!.

Quero aqui compartilhar o link da SóSucesso! e espero que leiam e digam se sentiram o que eu senti ao ler o mesmo texto. Segue abaixo o link para um belo texto!

https://www.youtube.com/watch?v=q6MO6-UzLFs

"Como tudo, talvez as nossas escolhas gerem controvérsias pelo método usado. Mas o que fazer quando o próprio nome do blog, e da equipe que faz o blog, são contrários aos fatos, ou seja, um blog e uma equipe que tratam fundamentalmente de um monte de, ér, digamos, peças fora da curva? foi triste. Esperamos, ao menos, que os textos lhe sejam agradáveis. Assim como a curadoria, claro. Pedimos, sem mais, que por ora deixem os ouvidos de lado, e ponham seus respectivos olhos nas mal traçadas que seguem, Isto é: leiam, garay!"(Equipe SóSucesso!)


Busca aqui no link -https://sosucesso.noblogs.org


Colaborações: SóSss: Levino Ferreira, por Mateus Otaku.


quarta-feira, 21 de abril de 2021

De Tiradentes a Bolsonaro: Que país é esse?

 

            Hoje é feriado e para você talvez não tenha tanta importância afinal vivendo em tempos tão turvos de pandemia e diariamente viver as incertezas de quando tudo isso vai parar, uma vez que, por um lado não suportamos mais contabilizar dimensão da quantidade de vítimas ou mesmo a lentidão por parte dos governos, principalmente federal, de articular um trabalho conjunto e uma campanha nacional de vacinação.
            Mas, para entender que país é esse ou que país "fazemos nascer" a cada dia será importante um breve mergulho na história e também compreender a formação dos "mitos e lideres" no campo do poder. É nesse horizonte que temos o dia 21 de abril como marca de um feriado nacional e a reverência a uma figura (de imagem incerta) mas que simboliza a ideia de uma "identidade nacional".

"Depois de um julgamento de fachada, seis acusados foram condenados à forca. Tiradentes foi o bode expiatório. Outros cinco receberam clemência e foram banidos para Angola. Tiradentes foi levado ao cadafalso em 21 de abril de 1792. Após ser enforcado, foi decapitado e teve a cabeça exibida numa estaca de Ouro Preto. (Skidmore, p.54)


FONTE:http://dombarreto.g12.br/portal/tiradentes-o-21-de-abril-e-a-construcao-de-uma-identidade-nacional/


"Mesmo expulsos do Brasil, alguns inconfidentes conseguiram construir suas vidas com sucesso.Tomás Antonio Gonzaga foi condenado ao degredo em Moçambique, mas recebeu tratamento especial: ficou hospedado na casa do Ouvidor." (Rodrigues, André. p. 24, 2011).

Fonte: Revista Nossa História. 2005, nº18, p.43

"A trajetória desses personagens  prova  que o degredo não foi drástico para todos os inconfidentes, como conta nos livros. Para alguns, ele foi  o estopim para uma retomada de suas vidas." (Rodrigues, André, p. 25, 2011).

            Dessa forma, quase cem anos depois, em plena República, a figura de um "mártir" é consolidada para legitimar um regime que surgia e para "unir" tantos brasileiros em nome de uma única causa. 
            Pensar nossos heróis é acima de tudo fazermos perguntas sobre suas trajetórias; não apenas o motivo de terem fim tão trágicos, mas, a partir da história saber porque estavam ali e quais interesses tinham. Pensar historicamente Tiradentes é saber também que depois de sua prisão e devassa se descobriu que aquele homem (que a História construiu como pobre) possuía bastante posses para a época. Você sabia? 
Pois bem, segundo historiadores "o cidadão" Joaquim da Silva Xavier era dono:  de sítios, várias cabeças de gado, explorava cerca de 43 jazidas, ocultando a maioria dos bens (como faziam homens da elite local) da Coroa portuguesa para não pagar os impostos devidos. No entanto,  ficou o mártir TIRADENTES, um homem pobre que simbolizava novos tempos da República que nascia.



                                       
FONTE:  https://www.todamateria.com.br/fernando-collor/



FONTE: https://escola.britannica.com.br/artigo/Luiz-Inácio-Lula-da-Silva/483342


FONTE: https://www.contatoonline.com.br/produtores-rurais-declaram-apoio-ao-presidente-bolsonaro/



                Portanto, pensar 21 de abril não consiste apenas saber que um "homem pobre" foi enforcado, que ele lembra Jesus (e, há uma explicação histórica para essa semelhança) mas é demais importante principalmente entender que país  estamos ajudando a construir. Afinal, saber qual modelo de sociedade desejamos. Deixemos os MITOS da política vagarem na escuridão e possamos trazer para a plena claridade melhores condições para a maioria da população. 
Se você já tem sua renda e estrutura garantida está na hora de deixar de negar a importância de fazer política e lutar para que possamos ter um país melhor e nunca forjado em figuras que vão ocupar o poder, "sangrar nossos recursos" e usar de uma retórica salvacionista. Como vimos, TIRADENTES, ele possuía muito gado. Porém, o mais importante nesse feriado é participar  para fazer um país mais justo para realmente quem precisa e mostrar principalmente que "NÃO SOMOS GADO".

"Será que valeu a pena tudo isso para pagar um salário de fome às empregadas domésticas e não ver mais pobres nos aeroportos, nos shopping centers e, principalmente, nas universidades? Afinal a educação, a saúde e a previdência, agora sucateada pelo Estado capturado, abrem caminho para que essas áreas se tornem o novo negócios dos bancos, que controlam agora crescentemente essas áreas também." (Souza, Jessé. p.234, 2017)


Fontes consultadas:

1- A elite do atraso: Da escravidão à Lava Jato. Souza, Jessé. 2017, ed. Leya.
2- Uma História do Brasil. Skidmore, Thomas. 2003, ed. Paz e Terra.
3- Revista  de História da Biblioteca Nacional. 2011, nº 67.
4- Revista Nossa História. 2005, nº18.

Sites:



Cícero Souza
Professor/Historiador
Mestre ULHT/Portugal.








domingo, 11 de abril de 2021

A morte do príncipe britânico e a História registrada.

 "Os centenários foram inventados no fim do século XIX."

(Hobbsawm, Eric. A era dos Impérios - 1875/1914, p.30)

 


    Abril de 2021 marca mais um importante momento para refletirmos quanto nosso papel nessa breve passagem e as heranças que deixamos. Também, momentos como o que vivemos e fatos que chegam via imprensa nos ajudem a buscar respostas não só espirituais mais também históricas.


"o príncipe Philip foi casado com a rainha Elizabeth II por mais de 70 anos." GETTY IMAGES.ttps://www.bbc.com/portuguese/internacional-56697226

      A sociedade britânica nesse instante lamenta a morte do príncipe Felipe de Edimburgo.(10/06/1921 a 10/04/2021). De descendência aristocrática grega logo se tornaria o marido da rainha Elizabeth II e por 57 anos desempenharia ao lado da esposa importantes momentos da nossa história, no entanto, ao mesmo ponto de buscarmos dados que marcam seu perfil de soberano é importante termos também habilidade de buscar na própria História o peso de suas decisões  para milhões de pessoas de centenas de países. Acompanhar um momento como esse é também a oportunidade de fazermos um resgate histórico e fazer da leitura e da pesquisa uma oportunidade de sempre aprendermos um pouco mais.

        Que Deus ilumine a passagem espiritual em momento como esse. Mas, que a História sempre contribua para que atrocidades cometidas jamais se repitam ou busque justificativas para ocultar a ganância e o etnocentrismo cultural.


Um breve resgate histórico

*A partilha da Ásia (1750)

Os britânicos chegaram à Índia por volta do século XVII e, gradativamente foram impondo seu poder usando principalmente a força. Assim, muitas vezes incentivaram conflitos internos na região gerando pequenas guerras contra marajás e nobabos, aliando-se a um ou a outro grupo de acordo com os interesses da coroa e dessa forma se apoderaram  de quase todo território Hindu.

CENTRAL PRESS/AFP VIA GETTY IMAGES   https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56697226

*Britânicos na China (1820)

A presença inglesa na China está marcada pela venda forçada de ópio por parte dos britânicos e uma total recusa aos protestos da China. Em 1839, o conselheiro LIN ZEXU,  em nome do imperador reclamou diplomaticamente junto a rainha Vitória dos prejuízos que a droga estava causando ao seu povo e ao não ser ouvido lançaram ao mar 1,5 toneladas de ópio sendo rechaçado de imediato pelo governo inglês. Dessa forma, entre os anos de 1839/1842 e 1856 /1860 a Inglaterra declara uma forte guerra contra a China em que, após vitória dos britânicos os chineses foram obrigados aceitar as "pesadas condições" do Tratado de Nanquim.

Para não esquecer:

"Aproveitando dessas divisões, o governo britânico aposta, alternadamente na repressão e na negociação. Em 1930, uma segunda grande campanha de desobediência civil, marcada pela espetacular "marcha do sal"  termina numa nova prisão de Gandhi e em diversas "mesas redondas" que não dão em nada. Como resultado, o Reino Unido promulga em 1935 unilateralmente, um novo Decreto da Índia, um pouco mais liberal  que o de 1919 concedendo maior autonomia para as províncias e impondo a limitação do poder do vice-rei. Mas, o governo britânico continua recusando conceder ao pais o estatuto de domínio. 

(Do império britânico à comunidade britânica. Berstein & Milza. p 330, 2007)


Fontes consultadas:

Sites 

*Principe Philip morre aos 99 anos e causa comoção no Reino Unido. -https://www.youtube.com/watch?v=OYSLsFz3ibY

*A revolta dos Cipaios - o que você precisa saber. - https://www.youtube.com/watch?v=e1KXOX7j-eI

*Guerra do ópio: Imperialismo e tráfico de drogas. - https://www.youtube.com/watch?v=Ns8FjrcxPqk

BBC NEW - Príncipe Philip: 99 anos, 143 países e uma mulher muito famosa. https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56697226


Livros:

História do século XX (1900-1945). Berstein, Serge & Milza, Pierre. Companhia das Letras, vol. 1, 2007. 576p.

A era dos Impérios - 1875/1914. Hobbsawm, Eric. Paz e Terra, 2007, 545p.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Efeitos da ditadura na educação de Pernambuco


        01 de abril de 1964 a 01 de abril de 2021, temos hoje a marca de 57 anos da implementação da DITADURA CIVIL-MILITAR no Brasil fato que por sua vez deixou marcas até nossos dias atuais. Nos últimos 40 anos muitos pesquisadores buscaram levantar o que foi  esse momento na história brasileira, quem participou para seu "sucesso" financiando, delatando, torturando ou em outros  casos trabalhando nos bastidores e elaborando uma legislação cada vez mais restritiva como o AI- 5 imposto em 1968.
        Por sua vez, outros especialistas trataram de investigar o papel da repressão (DOPS-PE), de políticos, sindicatos, da Igreja Católica e Protestante. Diante amplitude de pesquisas (teses, dissertações e livros publicados) e bastante conhecido do grande público trago nesse momento um "outro olhar" e que carece ainda de uma melhor investigação; trato do papel da escola e da legislação organizada pelo aparelho estatal visando manter controle e evitar qualquer possibilidade de uma reação partindo do aparelho ideológico sob seu controle. Nesse tempo professores, alunos, pais e toda comunidade apesar da "aparente liberdade" passavam a ser e ter seus passos minimamente vigiados ou reprimidos (quando necessário).
    Assim, o que temos e o que somos quando pensamos espaço escolar só será possível compreender buscando conhecer a nossa própria história e não nos prendermos ao "mero negacionísmo".
    Trago nesse momento pequenos fragmentos da minha dissertação defendida em 2016 intitulada "Retrato de professores: Associativismo docente em Pernambuco - 1979/1982" e espero despertar uma curiosidade para leitura de um período da nossa história que precisa ainda ser minuciosamente estudado. 
        Agradeço aos participantes (professores entrevistados, jornalistas e funcionários de instituições que apoiaram estudo), a minha orientadora Dra. Maria das Graças  Ataíde de Almeida e aos leitores que a cada pergunta nos estimulam a buscarmos respostas e resgatar quem realmente somos.

Obrigado.

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"A partir da análise do acervo montado pelo DOPS/PE foi possível fazermos um resgate da mobilização docente deflagrada em Pernambuco entre as décadas de 1950 e 1960. Quando buscamos fazer uma análise dessa documentação, constatamos que a vigilância policial se fazia presente não apenas junto aos professores que assumiram o movimento grevista, bem como, todo aquele que colocasse em pauta problemas que afetavam o conjunto da categoria docente e o descaso do governo para solucionar as questões," (Souza, Cícero. 2016, p.34)


"Temos, a partir de fragmentos do cotidiano de vida de três professores um contraponto ao discurso oficial produzido pelo Estado. Esse ponto de desconstrução encontram-se presente quando: a professora Luci Machado registra o excesso de alunos nas salas de aula, a dificuldade de obter material didático no local de trabalho, tendo que levar o seu próprio; a professora Helena Lopes, que por mais de uma década exerceu a função de diretora escolar destaca as condições em que recebeu a escola para desenvolver seu trabalho, como também ausência de qualquer trabalho ou projeto pedagógico junto aquela comunidade; Já a professora Francisca Florentina “Morena” resume todo um conjunto de dificuldade que identificara nas escolas em que visitou como integrante do movimento sindical do qual participava a partir do novo grupo que assumira à APENOPE." (Souza, Cícero. 2016, p.185)


"Quanto à organização ambiente escolar, a sociedade passava a conhecer a partir dos Relatórios oficiais um ambiente limpo, disposição de material didático, alunos dentro de um quantitativo propício ao ensino de qualidade. Nada próximo ao que ficou registrado nas memórias das docentes que de alguma maneira representavam desejos e angústias das várias “Helenas, Lucis, Porpinos ou mesmo Morenas” (Souza, Cícero. 2016, p.185)


Fonte: Relatório da Secretaria de Educação  de Pernambuco /1979-1982. Governo do Estado de Pernambuco. /SE-PE. 1982, p.32. Acervo da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco/BPE.(Souza, Cícero. 2016, p.94)



"O Estado ao tentar mostrar ser homogêneo todo ambiente escolar (área rural e urbana), padronizando realidades dos professores, colocando alunos de uma unidade escolar distante como imagem de um conjunto do Sistema de Ensino a Secretaria de Educação de Pernambuco busca na verdade construir, a invisibilidade dos professores da Rede Oficial de Ensino. Por outro lado, muitas vezes essa postura acaba sendo traída pelo próprio contraste das imagens quando apresentadas diante uma mesma atividade exigida no currículo escolar." (Souza, Cícero. 2016, p.191)

Fonte: 
Souza, Cícero. Retrato de professores: Associativismo docente em Pernambuco - 1979/1982. Universidade Lusófona, Lisboa/Portugal,2016. 



Cícero Souza
Professor da rede pública de ensino /SEE-PE
Mestre Ciência da Educação - ULHT - Lisboa/Portugal.
Doutorando Ciência da Educação - UNR/ Argentina.
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sábado, 27 de março de 2021

Sistema educacional brasileiro em tempos de Covid-19: entre a realidade e o desejo dos envolvidos

 

        São exatos 365 dias de incerteza ao que  vamos encontrar e quem por ventura vamos perder nesse caminho. Pois, de imediato é esse o sentimento que vivemos no dia-dia do mundo escolar, situação em que ficamos reféns de zelar pela nossa integridade emocional, de saúde e familiar e ao mesmo tempo atender ao nosso papel profissional e de pessoa humana desejando "acolher" cada aluno diante suas necessidades não apenas cognitivas mais principalmente emocionais.
        São quase dez anos que estava fora da sala de aula (tendo contato com alunos mas numa relação de pesquisa) e em 2020 decidi voltar atuar diretamente agora desenvolvendo todo um trabalho dentro da escola e retomando ideias e projetos que sempre acreditei, no entanto, foram apenas 45 dias de trabalho direto com o aluno ao que a pandemia de covid-19 travou tudo. O que de início parecia algo que se resolveria em meses a ineficácia das esferas governamentais (principalmente federal) mostrava que seria uma longa jornada. Assim, de todo um planejamento montado para o presencial tive que mudar completamente e (re) aprender a fazer o processo de ensino-aprendizagem ser  realidade. Como costumo dizer, fui me divertir!
       Muito ouvi que "os professores estão adorando ficar em casa e receber o seu salário certinho ao final do mês". É bem verdade que o salário não tem faltado, por sua vez, tem faltado bastante de privacidade pois a qualquer momento recebo contato dos alunos desejando sanar dúvidas (muitas vezes reais) mas que muitas outras por não desejar ler o informe da atividade aquele prefere contactar e pedir que os direcione "o que é para fazer mesmo?". Paralelo a essa realidade nesse período de 365 dias se tornou doloroso perceber o quanto estamos despreparados (professores, a família, o aluno e o governo) para fazer algo que na terminologia parece básico; "ensino híbrido e trabalho remoto".
Photo by cicero souza on December 27, 2020. May be an image of one or more people.

Fonte: Arquivo pessoal / março 2021
     Nessa nova realidade e modalidade muito aprendi e "me adaptei". Todo esse tempo construí e reformulei propostas, enfrentei não só o desafio de aprender mas de estimular e de "justificar" ao aluno a importância daqueles momentos que por sinal para ele não fazia sentido pois ao passar o ano fatídico de 2020, apesar de "todo mal atingido" estariam aprovados e nada mais justificaria todo aquele meu trabalho de diariamente  de estar conectado, preparando e enviando atividade e também buscando ter um feedback. Enfim: 2020 a pandemia de covid-19 e a realidade escolar mostrou que eu era um verdadeiro "Franktein" criatura e nunca o criador "Victor Frankstein".
    Estou atuando na área de ensino praticamente faz duas décadas e vi o quanto nossa educação melhorou, o quanto nossos alunos superaram obstáculos e viveram suas próprias conquistas. Mas, enquanto pesquisador, fazendo minhas leituras para construção da minha tese eu vejo o quanto os detentores do controle da máquina usam o sistema educacional para tirar o que realmente a população mais pobre precisa ter para fazer o diferencial a sua qualidade de vida. Todo esse tempo vejo o quanto a educação brasileira sempre acaba sendo nivelada "por baixo" e dos poucos momentos que "parecia percebida positivamente" voltava a ser jogada ao fundo do poço. Pesquisadores como Freire (1983), Valle (2009) e Cristiane (2009), Nóvoa, Saviani, Rubens Alves e tantos mais ao trazerem para o centro da discussão como a educação brasileira é conduzida há mais de 100 anos nos possibilita entender o momento atual que vivenciamos de crise sanitária mundial com a pandemia Covid-19, como os gestores estão tratando a nossa educação (estamos sem qual sinalização por parte do MEC) e o impacto a que estará exposta toda uma geração nos próximos 20 anos.
“Daí o temor e a confusão, o desamparo e a desesperança de ser educador hoje e aqui. Daí o sentindo da crítica que descobre por debaixo das “deficiências do sistema educacional”, as manipulações diabólicas  do sistema político sobre a educação.” (Brandão, Carlos Rodrigues / Chauí, Marilena S / Freire, Paulo (Org). O educador: Vida e morte, p.9, 2009)
“Não há saber mais, ou saber menos, há saberes diferentes” (foto: Instituto Paulo Freire)

"Nas décadas de 1950 e 1960, a educação escolar foi percebida por muitos como um assunto de segunda ordem, não sendo alvo principal de reformas que se realizavam na sociedade com vistas ao seu desenvolvimento e progresso social."  (Mélo, Cristiane. Estado e educação pela imprensa: o debate de Florestan Fernandes ante a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(1959-1961).
       Mesmo que não desejemos pensar fica a questão: Dessa  nova geração atingida diretamente pela total ausência estrutural do ambiente educacional, quanto sofrerá para ingressar no mercado de trabalho? Qual será a postura de uma geração que por dois a quatro anos percebeu que progressão escolar é meramente burocrática? Como reduzir uma desigualdade social e de oportunidade quando continuamos a fazer uma educação dual (até mesmo na esfera pública)?
“Como se pode ver, a expansão das oportunidades foi lenta e os percursos escolares foram marcados pela exclusão: os próprios órgãos oficiais estimavam que dos 1.000 alunos que ingressaram na 1ª série em 1966, apenas 319 concluiriam a 4ª série, 47 terminariam o curso ginasial e 18 obteriam um diploma de nível médio (Kock, 1995: 35).” (Valle,IoneRibeiro &Ruschel, Elizete. A meritocracia na política educacional brasileira (1930-2000).
    Enfim, essa pandemia que atualmente matou mais de 300 mil pessoas só Brasil, destruiu tantas famílias e que foi e continua sendo motivo de chacota pela principal liderança brasileira  vai deixar uma triste "herança" principalmente na juventude brasileira. Passado tantos anos de luta por uma educação pública de qualidade e para todos só chegamos até o momento ao conceito universalizar, pois, enquanto qualidade, caberá ainda por um bom tempo cada família garantir pagando (mesmo que seja pela segunda vez) caro e ainda com reduzida qualidade. Quanto historicamente, quando cada brasileiro em futuro próximo desejar compreender o que aconteceu no Brasil em período de pandemia de Covid-19 e precisar de um 'CULPADO" logo vai encontrar o "responsável" para essa estagnação  histórica educacional. E de quem será a culpa? Do PROFESSOR ou da Pandemia Covid-19?

Cícero Souza

Professor e pesquisador.

Fonte:
1- Brandão, Carlos Rodrigues / Chauí, Marilena S / Freire, Paulo (Org). O educador: Vida e morte. Rio de Janeiro: Edições Graal. 1983. 3ª edição.
2- Mélo, Cristiane. 2009, p.39 - Estado e educação pela imprensa: o debate de Florestan Fernandes ante a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - 1959-1961.  (Valle,IoneRibeiro &Ruschel, Elizete. A meritocracia na política educacional brasileira (1930-2000).

Sites consultados:

1- A pandemia e os impactos irreversíveis na educação - As adaptações ao mundo digital na rede particular e pública diante da covid-19 é destaque do artigo de Paulo Arns, do Colégio Positivo.

2- 100 anos de Paulo Freire: ler o mundo antes das palavras - Em uma sociedade historicamente enraizada pela opressão, as contribuições do grandioso educador brasileiro, referência em pedagogia crítica, continuam vivas e cada vez mais necessárias

3- MEC dissolve grupo que iria renovar o Ideb e especialistas temem interferência ideológica.

4- Banco Mundial: pandemia pode deixar 70% das crianças brasileiras de até 10 anos sem compreender textos simples 'Esta é a pior crise na área de educação já vista na região', diz vice-presidente da entidade para a América Latina e o Caribe.

5- Um ano após escolas fecharem, nenhum estado comprou equipamentos digitais para ensino remoto.
https://extra.globo.com/noticias/educacao/um-ano-apos-escolas-fecharem-nenhum-estado-comprou-equipamentos-digitais-para-ensino-remoto-24924685.html 

domingo, 21 de março de 2021

Goleiro Barbosa, o eterno campeão de 1950: centenário de um homem injustiçado.

 Goleiro Barbosa, o eterno campeão de 1950: centenário de um homem injustiçado.


      Sempre ouvi frases que por muito tempo acreditava por inquestionáveis, sendo assim só tratava de repetir e a pouco pensar. Assim desde de criança sempre repetia:

"O Brasil é o país do futebol".

"Temos o mais belo futebol do mundo".

"O futebol une pessoas".

"Fomos campeões morais na Copa de 1982". 

" A maior tragédia do futebol brasileiro foi perder aquela Copa de 1950 em casa para o Uruguai".

        Pois bem, estas e tantas outras "verdades" persistem como inquestionáveis, porém, refletindo um pouco estava a pensar como só "reverenciamos os ditos vencedores", temos no panteão da bola apenas aqueles que foram os primeiros colocados e que levantaram as cinco Copas do Mundo (1958,1962,1970, 1994 e 2002) mas nem ao menos reverenciamos tantos que mesmo não chegando ao desejável primeiro lugar fizeram cada degrau para que o sonho de ter um lugar no "altar divino da bola" fosse realidade. Quantos heróis ficaram pelo caminho?

De tantos nomes desejo aqui trazer uma reflexão para a figura do "famoso-anômimo" Moacir Barbosa Nascimento. Reconhece? E se disser, o Barbosa? talvez não tenha ajudado muito! Mas, se dissermos aquele goleiro da Copa de 1950. 

Pois bem, é exatamente assim que costumamos lembrar dele.


                                                                Barbosa - 1945
                                                         Fonte:wikipedia.org/wiki/Moacir_Barbosa_Nascimento


Neste mês de março o eterno Barbosa completaria cem anos de nascimento, no entanto, partiu amargurado e preso num pesadelo que o acompanhou por cinco décadas; FOI CONDENADO DUAS VEZES A EXATOS 71 ANOS DE PESADELOS. Foi condenado "pela bola" que "agiu sem consciência". Mas pior, foi condenado por milhões de torcedores de uma maneira cruel e muito consciente. Como o ato de torcer foi injusto com aquele homem, negro e que marcou toda uma geração. Um homem que não teve a oportunidade de dividir com os demais (21 jogadores e toda comissão técnica da seleção brasileira) o peso de uma derrota no placar. Porém,  foi na verdade uma valiosa vitória pois a partir daquele momento o futebol nacional estaria cada ciclo mais próximo da glória máxima de erguer um cobiçado troféu.


                                         https://www.google.es/search?q=taça+jules

        Barbosa nasceu em Campinas / SP no dia 27 de março de 1921, atuou em vários clubes brasileiros mas foi no Vasco da Gama que construiu sua história de lenda de futebol. Foi também no Maracanã e no Rio de Janeiro que viveu o maior pesadelo da sua vida. O que havia passada na mente daquele "Guarda-metas" antes e depois daquele fatídico dia em que um lance marcou a sua existência nesse mundo?  da nossa parte enquanto torcedor sabemos exatamente o que aconteceu, afinal, aquela "verdade" em forma de imagem passou por gerações e hoje, 71 anos depois, ainda nos assombra. Quando me pergunto sou capaz de dizer que foi muito fácil e assim repito: " A partida estava 1 a 1, até que o ponta uruguaio Alcides Ghiggia recebeu a bola na área. Barbosa achou que ele iria cruzar e deu um passo para frente para cortar o cruzamento. Ghiggia então percebeu um pequeno espaço entre Barbosa e a trave e chutou ali, no canto esquerdo do gol. Pego de surpresa, Barbosa não conseguiu evitar o gol.


Eu disse que era fácil descrever. Quase que copiar e colar a descrição do lance da internet!

Não quero aqui ficar preso aquela partida mas sim levá-los a refletir como o Barbosa sofreu todo esse tempo  e poucos tiveram a grandeza de reconhecer o quão foi gigante o Barbosa todos esses anos, afinal, sozinho defendeu a honra de uma geração.

Que tal você agora pesquisar um pouco sobre toda essa história e ver como esse atleta, homem, negro foi injustiçado por tantos anos e por tantos torcedores. Ele resistiu bravamente e ainda resista a condenação que foi vítima. Barbosa com certeza sofreu por 50 anos em casa (durante seu sono), no trabalho (quando trabalhava na Suderj - em pleno Maracanã) e nas ruas ao tentar caminhar. Barbosa pouco teve voz pois afinal cabe ao condenado a resignação e cumprir a pena imposta. Se no período em que viveu não existia prisão perpétua no pais o homem Moacir Barbosa Nascimento , ou simplemente "GOLEIRO BARBOSA" recebeu e resignado cumpriu silenciosamente até sua morte. Se acreditavam que barrá-lo de entrar na Granja Comary (1994) ao tentar visitar o elenco da Seleção brasileira seria uma forma de humilhá-lo aqueles (dirigentes, imprensa e torcedores) realmente não conheciam a história gloriosa desse eterno goleiro da Seleção brasileira de futebol

         Sobre seu fim neste "mundo dos torcedores" podemos dizer que Barbosa faleceu no dia 7 de abril de 2000 na cidade de Praia Grande / SP, onde vivia com uma filha adotiva. Faleceu devido a uma parada cardiorrespiratória, após complicações de um AVC. Foi enterrado no cemitério Morada da Grande Planície, em Praia Grande/SP.

Para concluir faço uma citação do cronista  Armando Nogueira  que talvez consiga dizer a dimensão do que foi o goleiro Barbosa. Para Armando Nogueira: 

A respeito de Barbosa, assim escreveu o cronista Armando Nogueira: "Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera"


Títulos

Vasco da Gama
Santa Cruz

Seleção Brasileira

Individual


Fontes: 

1 - Barbosa - A  final da Copa de 50 - pós Copa

https//www.imortaisdofutebol.com/201303/27/craque-imortal-barbosa/ 

2 - Goleiro Barbosa no JÔ Soares Onze e meia. 

https:// www.youtube.com/watch?=kUNPSfvjYP4.  

3- Imortais do Futebol. 

https://www.imortaisdofutebol.com/2013/03/27/craque-imortal-barbosa/


4- Barbosa: A carreira até a Copa de 1950

https://www.youtube.com/watch?v=cwVc30P44fI


sábado, 13 de março de 2021

Como naturalizamos a exploração.

Estamos em pleno ano de 2021 e nada parece fácil. Vivenciamos uma pandemia sem precedentes onde os números dizem intensamente o que está acontecendo, uma realidade fora do controle das instâncias públicas (federal, estadual e municipal), da população em geral que resiste atender as medidas de isolamento uma vez que dessa forma até mesmo estas pessoas ficam mais isoladas da necessária proteção do Estado (casos pontuais). Por outro lado, temos um grupo maior que em nome do individualismo contribui ao total de 273.184 mortes pelo covid-19 em todo Brasil e, um quase esgotamento, dos leitos de UTIs nas unidades hospitalares.

Mas, dos vários profissionais que atuam nos serviços essenciais temos os que trabalham no transporte público numa quase que total desproteção pois, além de estarem em contato direto com a população usuária de coletivos aqueles também enfrentam outros tantos descasos que poderíamos iniciar listando: por estarem em veículos sem praticamente qualquer higiene seja para o usuário de transporte público ou mesmo aqueles condutores que passam muitas vezes 12h de trabalho e refém de uma cidade que muitas vezes chega a exalar além de odores um calor de até 38 graus.

Fonte: Panfleto de protesto fixado em prédio da avenida Guararapes (Centro do Recife) - registro do autor.

No entanto, ao cruzarmos a cidade é possível percebermos algo muito mais desumano, vemos e até naturalizamos a exploração absurda que os motoristas dos transportes públicos sofrem para realizar suas atividades diárias. Você usuário, já percebeu que aquele profissional que conduz você ao seu destino não é mais apenas o motorista, ou seja, aquele a quem caberia sua segurança em trajeto que se propõe a fazer? Não é!

Hoje, um trabalhador do transporte coletivo ele conduz o veículo; cobra e conta a passagem; opera o elevador dos ônibus e ainda precisa ter total atenção a quem desce lá na porta traseira. Percebia? Talvez não, afinal, naturalizamos a exploração e assim a vida segue.

      É muito estranho como tudo está sendo "desmontado" ao que era realizado em passado bem recente (até anos 1950) quando havia uma cidade em crescimento e as empresas dinamizavam seu trabalho contratando cobradores como uma maneira de ter um serviço mais seguro e de mais qualidade (rentável também). Porém, em nome da tecnologia máquinas de leitura de cartão foram instaladas, prometeram (e até iniciaram) ar-condicionado nos ônibus mas ficou tudo na mera promessa como justificava ao aumento constante das passagens. Hoje, os veículos oferecidos (parte das linhas) são sujos, mal conservados e para agravar temos motoristas estressados e "obrigado" a desempenhar várias funções para assim viver longe da sombra do desemprego e alguns para garantir quem sabe um acréscimo a mais no salário no valor de R$-300,00, continuando porém com a obrigação de arcar com total prejuízo em caso de assalto que venha a sofrer no veículo ou dano material ao ônibus.


                                  Fonte: imagem meramente decorativa ao texto - registro do autor.

Muito triste o que estamos vivenciando e legitimando de alguma maneira. Qual o papel dos poderes públicos? A Justiça do Trabalho legitima a situação? O Consórcio Grande Recife acompanha e zela pelo bem do serviço prestado a população? E a classe desses trabalhadores, seus familiares e a população em geral o que pensam?


Cícero Souza - Professor e Historiador.