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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Robotização: emprego ou desemprego? 
O estrangulamento do mercado de trabalho não decorre do processo de automação

Desde que aprendeu a utilizar a pedra lascada como arma ou ferramenta, o homo sapiens não parou de produzir instrumentos capazes de torná-lo mais eficiente no trabalho e na guerra.
Antes da primeira revolução industrial, a unidade elementar de produção era a família. A descoberta da máquina, em meados do século 18, revolucionou o mundo e deu origem ao capitalismo e à classe operária. Da disputa entre a velocidade da fiação e a capacidade de tecer surgiram as primeiras fábricas de tecidos na Inglaterra, e o embrião do futuro proletariado. Um dos melhores relatos do período é encontrado no livro Evolución de la classe trabajadora, do historiador alemão Jürgen Kuczynski.
O desenvolvimento industrial é um fenômeno recente para os brasileiros. Começa timidamente após a abolição da escravatura, com o desembarque dos primeiros imigrantes trazendo sonhos, experiências e ideias arrojadas da velha Europa.
A nossa primeira revolução industrial inicia-se com a criação, em 16/8/1956, do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia) pelo presidente Juscelino Kubitschek. Um ano depois, em São Bernardo do Campo já se fabricavam 30.542 veículos, com a geração de 8.773 empregos diretos e dezenas de milhares indiretos. A produção não para de crescer até 2013, quando foram colocadas no mercado 3.738.448 unidades. No período de 55 anos os empregos diretos haviam atingido o número de 156.970 (Fonte: Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores - Anfavea).
A introdução dos robôs no setor automotivo inicia-se, timidamente, nos anos de 1970, sob olhares desconfiados das lideranças sindicais do ABC, temerosas de possíveis prejuízos para o mercado de trabalho. O país mais robotizado do mundo é a Coreia do Sul. Ali existem 531 robôs para cada grupo de 10 mil trabalhadores, informa a Agência Estado (14/8/2017). Apesar da intensa robotização, o índice sul-coreano de desemprego é de apenas 3,5%. Cingapura, Japão, Alemanha, Suécia, Taiwan e Estados Unidos ostentam números que impressionam no terreno da robotização, com índices de desemprego que oscilam em torno de 4%. No Brasil temos 10 robôs para cada 10 mil empregados, com desemprego superior a 13%.
O estrangulamento do mercado de trabalho não decorre do processo de automação, informatização ou robotização. Resulta do conjunto de fatores internos e externos que nos conduziram, nos últimos anos, à profunda crise de confiança, à fuga de investimentos produtivos e ao aumento da litigiosidade na esfera trabalhista.
O Estado publicou recentemente duas notícias que se entrelaçam. A primeira, estampada no dia 12/8/2017, informa que a Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou ação na Justiça Federal para que determinada montadora de veículos restitua ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alguns milhões de reais, a título de ressarcimento por valores pagos a empregados acometidos de doenças e de lesões causadas por condições impróprias de trabalho. A segunda, do dia 14/8, informa que as montadoras investem em robotização, “mesmo com crise e fábricas ociosas”. Não discuto o mérito da questão. Ignoro sob que circunstâncias os operários ficaram doentes. Sei, porém, que determinados tipos de trabalho podem causar acidentes e doenças. Assim, de duas uma, ou a empresa foi negligente ou não havia como afastar totalmente os riscos inerentes a certas atividades. Movimentos repetitivos são constantemente acusados de causarem lesões. O mesmo pode acontecer com posturas inadequadas, incômodas, exaustivas, exigidas, por exemplo, em antigas linhas de montagem. Inexistem dois seres humanos exatamente iguais. Logo, o que para uns é inofensivo para outros pode ser danoso.
A Norma Regulamentadora 17 (NR 17) visa a estabelecer parâmetros “que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a assegurar o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente”. O máximo pode não corresponder ao necessário, uma vez que o conforto e a segurança, desejáveis sob algumas circunstâncias, talvez conflitem com a eficiência, ou seja, com a produtividade almejada.
A moderna tecnologia oferece respostas para situações em que o empregador não consegue combinar a segurança exigida pela fiscalização com os limites de custos impostos pelo mercado, sobretudo quando medidas de proteção venham, no futuro, a se revelar inúteis ou insuficientes.
Em passado não distante o empregador tentaria melhorar as instalações ou valer-se de equipamentos pessoais de proteção. O baixo custo da mão de obra e o mercado interno cativo desestimulavam investimentos em projetos de modernização. Hoje, porém, ele se sente obrigado a imitar o que fazem os concorrentes de países mais evoluídos: recorrerá à robotização, com a troca da fragilidade humana pela robustez, velocidade, produtividade e durabilidade da máquina. “Duas décadas atrás, as montadoras empregavam 80 trabalhadores a cada mil veículos produzidos. Hoje, chegam a igual volume com menos da metade dessa força de trabalho: 35 operários a cada mil unidades”, escreve Fernando Nogueira da Costa no artigo Automação Robótica na Indústria Automobilística: Adeus ao Proletariado.
A insegurança jurídica remete o empresário à robotização. Também a necessidade de ser competitivo em qualidade e custos com países que têm na indústria o motor da economia.
Emprego se adquire no varejo. Desemprego vem no atacado. Com 208 milhões de habitantes, a caminho de 230 milhões, ignorar o problema é crime irreparável. Serão necessários dez anos, pelo menos, de crescimento industrial para a falta de trabalho não assumir proporções de tragédia grega.

ALMIR PAZZIANOTTO PINTO, O Estado de S.Paulo
11 Setembro 2017 | 03h00
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,robotizacao-emprego-ou-desemprego,70001984281

Leiam mais charge.

sábado, 9 de setembro de 2017

O mercado precisa de empatia para crescer?

“Alô, aqui é um robô sem sentimentos nem empatia”

A substituição de pessoas por máquinas no atendimento ao cliente é uma notícia ruim para os usuários

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/05/tecnologia/1504632657_445116.html

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA : CIDADÃOS OU AUTÓCTONES?


A DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA : CIDADÃOS OU AUTÓCTONES?
CASTEL, Robert. (136 p) La discrimination négative : citoyens ou indigènes? Tradução Francisco Moras

Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

"Como fio condutor, o autor se utiliza dos acontecimentos ocorridos na França, em 2005, que ficaram conhecidos como a “revolta dos jovens franceses do subúrbio” (ou “l´banlieu s´exprime” algo como “a periferia se exprime), momento em que jovens moradores destas zonas periféricas iniciaram episódios de violência em toda a cidade de Paris. Para Castel, tais episódios, desprovidos de reivindicações e marcados por intervenções improvisadas e esporádicas, constituíram-se como uma forma de demonstrar seu descontentamento com o tratamento recebido pela sociedade francesa como um todo, em face de um profundo sentimento de desesperança que perpassa suas expectativas em relação a conseguirem uma pertença plena à sociedade e a suas perspectivas futuras.
Neste sentido, apesar de o trabalho de Castel centrar sua análises especificamente no caso francês, suas análises detalhadas e hipóteses explicativas podem ser utilizadas no estudo de outras tantas situações discriminatórias vividas por habitantes das periferias mundo afora, inclusive no Brasil."


http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/9089/7484

OS POBRES E OS TERMOS DE BEM VIVER: Novas formas de controle social no Império do Brasil

No momento em que vivenciamos um verdadeira "apropriação das instituições"  por parte de um seleto grupoe a prática legislativa e judiciaria parece mais atender aos que ocupam seus postos; um período em que os índices de desemprego e violência chegam a níveis estarrecedores e ainda o governo decreta aumento de impostos para sanar o rombo nos cofres públicos causados por eles mesmo, o que vemos é o empobrecimento da população (política, econômica e culturalmente), fator que só um futuro estudo identificará que posição tomaram os mais pobres no Brasil do século XXI. Por enquanto, vale fazer a leitura dessa bela tese que explica um pouco da nossa história e desmandos.

O pobre na História do Brasil (1824-1889).

"Este trabalho analisou o pensamento jurídico penal no Brasil e sua historicidade durante o século XIX, atentando para a produção do discurso em documentos processuais denominados termos de bem viver, uma das fontes documentais da pesquisa. Foi possível, por meio da análise dessa documentação, acompanhar o percurso da produção do vadio enquanto indivíduo passível de conhecimento do saber/poder. Refletiu-se ainda sobre a produção do Código Criminal de 1830, base para o nascimento legal do poder disciplinar no Brasil. Com essa nova estrutura jurídica, a polícia ganhou embasamento legal para agir no cotidiano dos indivíduos pobres livres, seu alvo preferencial. Esse novo tipo de controle e punição de comportamentos indesejáveis irá perpassar e irradiar-se por todo o corpo social em forma de rede, levando finalmente as informações até o Imperador. Portanto, este estudo analisou as formas de poder que nortearam o período imperial brasileiro de 1824 a 1889 e se constituíram em instrumentos utilizados pela elite agrária para inserir os pobres livres no modelo de nação pretensamente liberal e moderna."

https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/93133/martins_e_me_assis.pdf?sequence=1&isAllowed=y

terça-feira, 25 de julho de 2017

A história da nossa tal classe média


"Por que a classe média foi para as ruas?
Não foi contra a corrupção.
Foi pelo ódio ao PT.
Porque o Lula e a Dilma fundaram 18 universidades, contra... zero do FHC.
Se fosse contra a corrupção, a Avenida Paulista estaria lotada desde que os Golpistas assaltaram o poder!
Mas, as panelas estão em silêncio!
Assista à nova edição da TV Afiada e saiba mais!"

https://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/o-odio-nao-e-a-corrupcao-mas-ao-pt-e-a-rale.