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domingo, 19 de janeiro de 2025

E "se você fosse" o Beto Freitas?

"Precisamos construir melhores resultados na qualidade de vida dos sujeitos sociais, a partir das mudanças na situação dos determinantes sociais, combatendo as iniquidades na saúde, em outros setores e nas estruturas formuladoras de políticas públicas."

(Jornal Correio Braziliense - 03/12/2023)

"O assassinato de Maria Bernadete Pacífico, em 17 de agosto de 2023, traz à tona uma realidade invisibilizada em nosso dia-dia: o racismo e o machismo que sofrem as mulheres quilombolas."

(Site Mídia Nínja - 01/12/2023)

            Bem, hoje retomamos um tema que faz-se necessário além da leitura que compartilhemos a matéria publicada no Jornal Correio Braziliense em que destaca quanto o  combate a prática do racismo. A matéria abre espaço para reflexão quanto a nossa postura diária ao aceitarmos em pleno século XXI atitudes preconceituosas e não compreendermos conquistas atuais. 

    Assim, leiam os fragmentos abaixo, acessem o link   (A demora para julgar o assassinato de Beto Freitas  revela descaso publicada no portal do Jornal Correio Braziliense. 

    Veja também as indicações de leitura e vídeos abaixo para ampliar conhecimentos.

Boa leitura!

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"E lembramos, oportunamente, as palavras de Desmond Tutu: "Se você fica neutro em situação de injustiça, você escolhe o lado do opressor"."

    "No final de dezembro último [2024], o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) decidiu pela liberdade de três réus, até então presos sob a acusação de espancar e matar João Alberto Silveira Freitas, conhecido como Beto Freitas. O crime aconteceu nas dependências de uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre/RS, em 19 de novembro de 2020 e a repercussão teve alcance nacional.

    Quanto a autoria do crime, não há nenhuma dúvida, pois as imagens do brutal assassinato falam por si. Por outro lado, a decisão deferida pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em 17 de dezembro, expõe a morosidade e o descaso que sugerem uma espécie de desleixo com que o Poder Judiciário vem tratando este caso.

    A comunidade negra gaúcha e brasileira jamais esquecerá nítido crime com contornos racistas, perpetrado por dois homens brancos, e que culminou na morte de um homem negro às vésperas do Dia da Consciência Negra. A Justiça gaúcha negou, este ano, a hipótese de motivação racial para o crime, mas nós sabemos que o motivo da morte violenta de Beto foi por ele ter um corpo negro. Pretendemos que o caso sirva de exemplo a outros racistas, que parecem debochar das instituições quando violam, aviltam, atentam contra a vida e a humanidade de pessoas negras.

    Por isso, pedimos e exigimos justiça no caso do assassinato de Beto Freitas, por seus familiares e por toda a comunidade negra gaúcha e brasileira. E lembramos, oportunamente, as palavras de Desmond Tutu: "Se você fica neutro em situação de injustiça, você escolhe o lado do opressor"."


Maria Helena Santos  (artigo)

Jornalista, ativista social negra, mestranda em Educação, diretora de Comunicação da Frente Negra Gaúcha*


Livros que indico leitura:

Holloway, Thomas H. Polícia no Rio de Janeiro - Repressão e resistência numa cidade do século XIX.  Fundação Getúlio Vargas (FGV), 1997.

Cancelli, Elizabeth. O mundo da violência: A polícia da era Vargas. Ednub, 1993.

Kucinski, Bernardo (org.). Bala perdida: A violência policial no Brasil e os desafios para superação. Ed. Boitempo, 2015.

Foucault, Michel. Vigiar e punir: História da violência nas prisões. Ed. Vozes, 1997.


Para assistir: 

Carrefour promete ações conscientizadoras depois da morte de João Alberto.

Morte de João Alberto provoca onda e protestos pelo Brasil

Para ouvir: 

Identidade (Jorge Aragão)


Para ler: 

A demora para julgar o assassinato de Beto Freitas  revela descaso. - acesso: 18/01/2025





Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar
(Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutorando Ciência da Educação (Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR)

sábado, 11 de janeiro de 2025

Crônica poética

   "Compra em algum lugar tudo o que tem preço, mas, não compra o que realmente tem valor."

     Imagino como seria, se ganhasse na loteria! 

  Doações sim eu faria;  ajudaria minha família e pelo mundo viajaria. Casa de praia, construiria, uma fazenda compraria, carros, lanchas e, eu teria quase tudo. Eu teria; aliás, eu só não teria, a felicidade garantida, pois, até onde entendo, dinheiro não compra o prazer e a alegria. E, se fosse comprada,  com certeza que não existiria muita gente de bolso cheio mas a vida muito vazia. Não compraria, nem amizade e a saúde, e por mais que ela mude, seu nível e classe social não compraria o essencial; ele não compra o amor. Compra em algum lugar tudo o que tem preço, mas, não compra o que realmente tem valor. 

    Vejo "a chave da vida" no saber diferenciar preço do que tem valor. Deixa provar por favor! Dinheiro só presta se for pra você completar as conquista da vida. A propósito, um exemplo: já pensou você cheio da grana, muito dinheiro, e não tem um parceiro, uma parceira pra viajar? 

    Sem chance! 

"Dinheiro paga um terço mas, não compra a fé; compra uma boa casa, mas, não compra o lar; compra uma boa cama mas, não compra o sono; compra uma companhia mas, acabou o dinheiro, te deixarás no abandono."

    E, se viajasse só e quando chegasse lá não tivesse na memória de quem seria lembrar ou nem pra quem trazer um presente na hora quando fosse voltar? Pensou você milionário? tantos carros na mansão sem levantar pra sair sem saúde para dirigir, uma volta no quarteirão? Dinheiro paga um terço mas, não compra a fé; compra uma boa casa, mas, não compra o lar; compra uma boa cama mas, não compra o sono; compra uma companhia mas, acabou o dinheiro te deixará no abandono.

    Quando você se vai, tudo o que tem preço, desvaloriza e deprecia. Tudo o que tem valor, este sim, se eterniza, e quem fica, aprecia. Qual preço você daria por sua honestidade, por sua dignidade e por sua reputação? Por quase um milhão seria o preço de sua família? E, por quanto venderia sua saúde, seus amigos? Tá vendo essa riqueza, você a tem consigo!

    Enxergue tudo do que foi exposto, bote um sorriso no rosto, se mande pra aproveitar, porque essa riqueza vai ter prazo de validade. O tempo não evita passar. Pegue toda sua fortuna, antes dela descompletar, não importa qual hora, e nem qualquer lugar, nem qualquer evento, até no seu aniversário, saiba bem valorizar pois você é um milionário. Não estou te pedindo aqui para você parar, mas, busque prosperar, sempre melhorar nos objetivos e a realizar. Busque os seus sonhos mesmo que haja tropeço. O mais importante  é lembrar: dinheiro é complemento e, tudo o que tem valor  é mesmo impagável e  não tem nenhum preço.

"A propósito, um exemplo: já pensou você cheio da grana, muito dinheiro, e não tem um parceiro, uma parceira pra viajar?"


Para ouvir:

"Não é sobre tudo que seu dinheiro é capaz de comprar. E sim, cada momento e sorriso a se compartilhar."
Trem bala (Ana Vilela)

Tá escrito (Revelação)

"Faça uma lista dos sonhos que tinha. Quantos você desistiu de sonhar?
A lista (Oswaldo Montenegro)


Severino Alberto Leal

Escritor

Professor - Língua inglesa

Pós-graduado Psicopedagogia

Professor Rede Estadual de Ensino de Pernambuco

 Ex. coordenador Biblioteca Escolar.


domingo, 5 de janeiro de 2025

Que 2025 ensine!

     "A vida é tão curta e a tarefa de vivê-la é tão difícil, que quando começamos a aprendê-la, já é hora de partir.”

                                                      


 “A capa da Vogue filipina emocionou o mundo. Há nela uma “miúda” de 106 anos! A melhor capa de todos os tempos.”


“Envelhecer..


    Dizem que, a partir de uma certa idade, nós as mulheres ficamos invisíveis. Que a nossa atuação na cena da vida diminui e que nos tornamos inexistentes para um mundo onde só cabe o impulso da juventude.

"Quando me olho ao espelho e procuro quem fui… sorrio àquela que sou… Alegro-me do caminho percorrido, assumo as minhas contradições."

    Honestamente, não sei se me tornei invisível para o mundo, é possível que sim. Porém nunca fui tão consciente da minha existência como agora, nunca me senti tão protagonista da minha vida e nunca desfrutei tanto cada momento da minha existência. 

    Descobri que não sou uma princesa de contos de fadas e descobri o ser humano sensível e também muito forte que sou, com as suas misérias e as suas grandezas. Descobri que posso permitir-me o luxo de não ser perfeita, de estar cheia de defeitos, de ter fraquezas, de me enganar, de fazer coisas indevidas e de não corresponder às expectativas dos outros. E apesar disso…

Gostar de mim!

    Quando me olho ao espelho e procuro quem fui… sorrio àquela que sou… Alegro-me do caminho percorrido, assumo as minhas contradições. Sinto que devo saudar com carinho a jovem que fui, mas deixá-la de lado porque agora atrapalha-me, o seu mundo de ilusões e fantasias já não me interessa. Na verdade, é bom viver sem ter tantas obrigações e não ter de sentir um desassossego permanente causado pela necessidade de correr atrás de tantos sonhos.

    A vida é tão curta e a tarefa de vivê-la é tão difícil, que quando começamos a aprendê-la, já é hora de partir.”


Blandinne Faustine*

*(nascida Blandine Loeser; Berlim, 4 de novembro de 1899 – Berlim, 25 de dezembro de 1993) foi uma atriz e chansonniere alemã, a filha do pianista Gustav Loeser e a atriz Margarete Wezel).


Para ouvir:
"A vida exige sonhos. E, o amor é só um jeito de sonhar." 
(Porta da alegria - Oswaldo Montenegro)


"Enquanto houver sol, ainda haverá.." 
(Enquanto houver sol - Titãs)

"Eu te desejo muitos amigos mas que  em um possa confiar. E, que tenha até inimigos pra você não deixar de duvidar" 
(Pra recomeçar - Frejat)







Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar
(Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutorando Ciência da Educação (Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR)


domingo, 29 de dezembro de 2024

Retrospectiva 2 - "Quando você chorar".

 "Meu baião, coração, arranca essa dor do meu peito para eu não chorar!"

(Anjo Querubim - Limão com mel)

    Ouvi dizer que você chorou! Por qual motivo teria sido?Acredito que você chorou ao ler trechos de mensagens que deixei no teu whatsApp afinal, traziam nossas histórias, nossos  segredos, nossas vontades.

    Você teria chorado por nossos encontros não serem mais realidades e ficarem presos em sonhos, lembranças e suspiros? Não sei, mas o certo é que você chorou.

"Chorar pra quê? Tristeza já não faz parte desse meu viver, se tudo tinha mesmo que acontecer, a gente já nem mais fazia amor."

(Chorar pra quê? - Petrúcio Amorim)

    Alguém me disse que você ainda chora. Mas, porque não decides e segues em frente? Ou será que o teu presente é mais seguro do que as tuas "incertezas" de um possível futuro? Acredito que você não esqueceu das nossas fugas. Afinal, para nossos corpos não há prisões que nos mantenha isolado um do outro. Você ainda lembra?

    Ouvi mesmo dizerem por aí que choras quieta, sozinha, isolada deitada em teu quarto. Outros dizem que choras por não suportar tamanha prisão que é a solidão. Mas, talvez você me pergunte: o que deverias fazer? Não vou te responder.

    Mas, sempre estarei por perto. Estarei na canção que toca, nas lembranças dos toques. Em a cada anoitecer ou naquele cachecol que te protege do frio e que acaba por te aquecer do sentimento de minha ausência física.

    Não chore.

    Prefiro teu sorriso para me dizer que mesmo em sonhos eu ainda posso tê-la junto a mim e sorrindo.

Não chore.

  Não acredite que quanto mais distante, quanto mais ao interior dessa imensidade cidade ou do teu coração eu não vou escutar você! 

Forró eletrizante - DVD (Flor de Mandacaru)

Anjo querubim (Limão com Mel)

Chorar pra quê? (Petrúcio Amorim)

Eu só quero um xodó (Dominguinhos)

Colo de menina (Rasta - pé)

Cícero Souza
Professor  ETE - Ginásio Pernambucano/Cabugá
(Governo do Estado de Pernambuco - SEE)

Mestre Ciências da Educação (Lisboa/Portugal)
Doutorando Ciência da Educação (Universidad Nacional de Rosario - UNR/ Argentina)

Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - Paraguai)

sábado, 21 de dezembro de 2024

Restrospectiva I - Síndrome de Burnout

 Eu estava fraca demais até para respirar”, conta. “Fui até a minha coordenadora, expliquei a situação, e disse que não estava em condições para dar aula. Ela me respondeu com um comentário irônico, perguntando se estava grávida. Eu me senti desrespeitada e não pude sair da escola”, relembra." 

(Jornal Correio Braziliense - 27/08/2023)

Bom dia!  

     iniciamos o dia de hoje trazendo uma reflexão para questão que ainda atinge milhares de pessoas (no campo de trabalho, na escola ou mesmo em casa) e de alguma forma milhares de famílias. Que tal ler está matéria, compartilhar e também evitar "ser testemunha, vítima ou cúmplice" desse mal? 

    Assim, leia os fragmentos abaixo, clique aqui (Síndrome de Burnout: saiba como identificar sintomas e buscar ajuda  e leia a matéria completa publicada no Jornal Correio Braziliense

Boa leitura!

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    "A Síndrome de Burnout foi incorporada à lista das doenças ocupacionais reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde, e é caracterizada pelo esgotamento por excesso de trabalho. Levantamento internacional mostra que ela afeta cerca de 64,3 milhões de brasileiros. Especialistas explicam os direitos dos profissionais e como se proteger do desgaste que pode levar a quadros de ansiedade e de depressão."                                                            (crédito: Maurenilson Freire - Jornal Correio Braziliense - 27/08/2023)

       Em um tempo marcado pelo ritmo frenético, conectividade constante e pressões crescentes, o esgotamento profissional, também chamado de “burnout”, tem se tornado uma epidemia silenciosa. Exaustão extrema, estresse, esgotamento físico, despersonalização, gastrite e enxaqueca são apenas alguns dos muitos sintomas da Síndrome de Burnout

“O empregador pode ser responsabilizado por danos morais e materiais se for comprovado que sua negligência contribuiu para o burnout do empregado"

    Também conhecida por Síndrome do Esgotamento Profissional, foi incorporada à lista das doenças ocupacionais reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em janeiro de 2022 e, em maio de 2023, um levantamento realizado pela International Stress Management Association (Isma) revelou que a doença afeta cerca de 64,3 milhões de brasileiros, elevando o Brasil ao 2º lugar em número de casos diagnosticados. 

    Causada justamente pelo excesso de trabalho, a Síndrome de Burnout não é simplesmente cansaço após um longo dia ou semana, é um fenômeno complexo e profundo que atinge profissionais de todas as idades, setores e níveis hierárquicos. Juliana Gebrim, psicóloga e neuropsicóloga, destaca que o burnout exige abordagem mais abrangente, pois envolve uma perda de conexão com o trabalho. “O burnout vai além da fadiga comum. Ele causa uma sensação de desesperança geral, que afeta motivação, engajamento e satisfação no trabalho”, explica.

“Senti meu olho arder, fui dormir e, no outro dia, notei a paralisia do lado esquerdo”, diz. Depois de procurar atendimento médico, recebeu atestado de 10 dias, e relata ter se deparado com um ambiente de trabalho ainda mais hostil ao voltar."

    Juliana alerta para a responsabilidade da empresa em minimizar o risco e os efeitos do Burnout. “A empresa deve criar um ambiente de trabalho que valorize o bem-estar dos funcionários e avaliar regularmente a carga de trabalho deles, garantindo que esteja equilibrada e realista, e fornecer suporte adicional quando necessário”, explica.

    Essa não foi a realidade do diretor audiovisual e produtor de vídeo Kalleu Chaves. Aos 33 anos, ele teve metade do rosto paralisado devido ao estresse do trabalho na área de marketing de uma empresa. “Eu fazia o trabalho de umas 10 pessoas e não tinha direito nem a vale-alimentação”, relembra o profissional. “Eu trabalhava há poucos meses na empresa e estava absurdamente sobrecarregado”, conta. Em uma determinada noite, ao fazer em casa as demandas do trabalho, o corpo de Kalleu entrou em colapso. “Senti meu olho arder, fui dormir e, no outro dia, notei a paralisia do lado esquerdo”, diz. Depois de procurar atendimento médico, recebeu atestado de 10 dias, e relata ter se deparado com um ambiente de trabalho ainda mais hostil ao voltar. “Meu colega não aguentou e pediu para sair. Então, tive de fazer a parte dele. Voltei com o rosto paralisado e assim fiquei por 3 meses. Foi humilhante”, afirma. “Eu tinha que segurar minha boca para beber água e comer e, nesse meio tempo, foi como se nada tivesse acontecido para a empresa.”

    O advogado Fernando Paiva, especialista em direito do trabalho, aponta que é direito do trabalhador ter acesso a um ambiente corporativo seguro. “Os empregadores têm o dever legal de fornecer um ambiente de trabalho seguro e saudável. Aos empregadores que não cumprirem com suas obrigações legais em fornecer ambiente e condições saudáveis de trabalho aos seus empregados, Fernando explica as consequências legais: “O empregador pode ser responsabilizado por danos morais e materiais se for comprovado que sua negligência contribuiu para o burnout do empregado. Isso pode resultar em indenizações; e os órgãos de fiscalização do trabalho podem impor multas ao empregador por não cumprir as regulamentações de saúde e segurança no trabalho”. 

Para ler:

Síndrome de Burnout: saiba como identificar sintomas e buscar ajuda 

https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/trabalho-e-formacao/2023/08/5115841-sindrome-de-burnout-epidemia-silenciosa.html - acesso: 27/08/2023


Para assistir:

Síndrome de Burnout:: entenda o que é, seus sintomas e tratamentos.

https://www.youtube.com/watch?v=em1H0chNXP0 

Izabella Camargo explica a Síndrome de Burnout.


Para ouvir:

Tô cansado (Titãs)

Ney Matogrosso ( Poema) 

Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar
(Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutorando Ciência da Educação (Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR)

sábado, 14 de dezembro de 2024

Só há na escola

     "Minha filha inocente, diz pra mim toda contente: pai vou me matricular! Mas, me diz um cidadão, criança de pé no chão aqui não pode estudar."

(Cidadão - Zé Ramalho)


        Noutro lugar, não. Só na escola há. 

     na escola existe ainda a vivência do silêncio, do respeito, de ouvir, de esperar a sua vez para falar, de levantar a mão pra perguntar algo.

    Só na Escola há o contato com a caligrafia, sem digitar, sem corretor ortográfico. Só na Escola se pode exercitar a memória integralmente, sem nenhuma dispersão sem consultar o Google, raciocinando sozinho a partir da própria ideia. Só na Escola rompe a simultaneidade para se dar o privilégio de tarefa a cada tarefa. 

    Só na Escola a empatia é cultivada de forma coletiva, num movimento de turma. Só na Escola é oferecido muito tempo para inteligência natural. Só na Escola Se exerce o direito de ficar na forma off-line.

    É na Escola o único lugar em que, ainda, é possível evoluir  disciplina, obediência humildade, paciência rigor e perseverança.


Para assistir:

Vida de Maria

A gente se acostuma

Para ouvir:

Na Escola (Edson Gomes)

Cidadão (Zé Ramalho)

Alberto Leal

Escritor

Professor - Língua inglesa

Pós-graduado Psicopedagogia

Professor Rede Estadual de Ensino

Coordenador Biblioteca Escolar.

sábado, 7 de dezembro de 2024

A lua, a MPB e uma dor social

 "....a falta de limites claros em relação ao uso de tecnologia acabará por promover sujeitos sofredores de intensa dor social, pois desprovidos de habilidades sociais essenciais, tais como a empatia e a comunicação interpessoal, à mercê de uma cada vez mais crescente solidão."

      Nos dias atuais as redes da tecnologia informatizada nos trazem milhões de informações diárias, prontas para o deguste do freguês. É a diversão da moda, do papai até mesmo ao bebê que já se entretém com as cores, movimentos e sons, insights irrecusáveis na batalha contra o tédio existencial. Isso mesmo: a atualidade nos causa tédio; o que necessitamos mais? O que buscamos mais para a nossa satisfação? Quase nada! temos um cardápio pleno ao nosso alcance...mas o prato de entrada – mesmo a sobremesa – ainda é o tédio.

      Alguns neste público talvez ainda lembrem quando a velha TV preto & branco anunciou, em estridente som do “e-x-t-r-a-o-r-d-i-n-á-r-i-o”, sobre a chegada do homem à Lua. A conquista estava completa e não mais se restringia aos namorados, que já se divertiram tanto na inocência do esconde-esconde, do pula-corda, das bolas de gude, dos assustados com muito iê-iê-iê e cuba libre! ...Ops, Marte prova que não, que não completou-se ainda a saga humana que o mito do Sísifo revelara. Muita pedra ainda para carregar até o cume do monte da satisfação e ainda mais paciência para vê-la rolar colina abaixo. E haja tédio!!!...

"O porão da família se fecha ante a pressão social e as demandas do cotidiano pela procura constante do prazer.."

      Pois bem, montamos, assim, um brevíssimo retrato da atualidade humana sobre este monte de terra que a Terra ainda detém. O verme ainda passeia na lua cheia... – lê-se nas “Flores Astrais” do inesquecível Secos & Molhados dos turbulentos anos 70 – mas já não encontra tempo para admirá-la. Não há mais ideias, mas repetições. Não há mais desafios, mas desarranjos, num vale-tudo na busca pelo novo. Os pais escasseiam na complexa e multifacetada mediação sobre a dinâmica familiar; para lembrar Belchior na sua “Hora do Almoço”, no centro da sala, diante da mesa/ a gente se fala, se toca e se cala e se desentende no instante em que fala/ Cada um guarda mais o seu segredo/ sua mão parada, lacrada e selada...

      O porão da família se fecha ante a pressão social e as demandas do cotidiano pela procura constante do prazer, a Era Dopamina que a Geração Z refina em nome dos Millennials, na reorganização das expectativas a serviço da novíssima geração Alfa. Inauguramos uma sociedade de toda conectada e ainda assim alheia ao que acontece ao nosso redor. 

"No aspecto emocional, o uso inadequado de redes sociais pode levar a problemas de autoestima e ansiedade. Por fim, a superexposição a conteúdos inadequados pode prejudicar o desenvolvimento social e emocional das crianças, emaranhadas em caminhos distorcidos."

E então nos vemos, todos, vulneráveis ao consumo excessivo e à compulsão numa busca desesperada pelo prazer, gerando mais sofrimento do que felicidade. Essa sensação momentânea de prazer pode incentivar comportamentos repetitivos, levando ao que muitos chamam de "dependência digital". Além disso, o sedentarismo associado ao tempo de tela elevado contribui para o aumento da obesidade infantil. No aspecto emocional, o uso inadequado de redes sociais pode levar a problemas de autoestima e ansiedade. 

    Por fim, a superexposição a conteúdos inadequados pode prejudicar o desenvolvimento social e emocional das crianças, emaranhadas em caminhos distorcidos na busca por pequenas doses de dopamina, resultando em um padrão de comportamento que prioriza a interação virtual em detrimento das relações reais. No aspecto psicológico, este movimento tresloucado engatilha as faturas concentradas em transtornos relacionados a ansiedade, depressão, medo, tristeza e desesperança, promovendo acessos inadequados a conteúdos que lá estão senão para impactar negativamente o comportamento e formação de valores nas crianças.

      Ficará, então, pronto o caldo da geração ansiosa: uma infância hiperconectada e desesperada ante uma epidemia de transtornos mentais. O prazer instantâneo proporcionado pelas telas pode dificultar a capacidade de desfrutar de atividades que não oferecem recompensas imediatas, como hobbies, exercícios físicos ou interações sociais mais profundas, de onde se conclui que a falta de limites claros em relação ao uso de tecnologia acabará por promover sujeitos sofredores de intensa dor social, pois desprovidos de habilidades sociais essenciais, tais como a empatia e a comunicação interpessoal, à mercê de uma cada vez mais crescente solidão.

      Nessa escalada incontrolável de abandono, restará aos vindouros apenas uma vitrola, num canto da sala, ouvindo Ivan Lins num soluço “Aos Nossos Filhos”: Perdoem a falta de abraço; perdoem a falta de espaço, a falta de folhas, a falta de ar ...perdoem a falta de escolha...os dias eram assim!!!


Para assistir:

Dependência digital

Para ouvir:

Flores Astrais (Secos & molhados)

Hora do almoço (Belchior)

Aos nossos filhos (Ivan Lins)

João Montarroyos.

Psicólogo clínico, especilista em Terapia Comportamental.

Ex. professor das redes pública/privada e Historiador.

Ex-Secretário de Educação municipal em SE.