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domingo, 19 de janeiro de 2025

E "se você fosse" o Beto Freitas?

"Precisamos construir melhores resultados na qualidade de vida dos sujeitos sociais, a partir das mudanças na situação dos determinantes sociais, combatendo as iniquidades na saúde, em outros setores e nas estruturas formuladoras de políticas públicas."

(Jornal Correio Braziliense - 03/12/2023)

"O assassinato de Maria Bernadete Pacífico, em 17 de agosto de 2023, traz à tona uma realidade invisibilizada em nosso dia-dia: o racismo e o machismo que sofrem as mulheres quilombolas."

(Site Mídia Nínja - 01/12/2023)

            Bem, hoje retomamos um tema que faz-se necessário além da leitura que compartilhemos a matéria publicada no Jornal Correio Braziliense em que destaca quanto o  combate a prática do racismo. A matéria abre espaço para reflexão quanto a nossa postura diária ao aceitarmos em pleno século XXI atitudes preconceituosas e não compreendermos conquistas atuais. 

    Assim, leiam os fragmentos abaixo, acessem o link   (A demora para julgar o assassinato de Beto Freitas  revela descaso publicada no portal do Jornal Correio Braziliense. 

    Veja também as indicações de leitura e vídeos abaixo para ampliar conhecimentos.

Boa leitura!

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"E lembramos, oportunamente, as palavras de Desmond Tutu: "Se você fica neutro em situação de injustiça, você escolhe o lado do opressor"."

    "No final de dezembro último [2024], o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) decidiu pela liberdade de três réus, até então presos sob a acusação de espancar e matar João Alberto Silveira Freitas, conhecido como Beto Freitas. O crime aconteceu nas dependências de uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre/RS, em 19 de novembro de 2020 e a repercussão teve alcance nacional.

    Quanto a autoria do crime, não há nenhuma dúvida, pois as imagens do brutal assassinato falam por si. Por outro lado, a decisão deferida pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em 17 de dezembro, expõe a morosidade e o descaso que sugerem uma espécie de desleixo com que o Poder Judiciário vem tratando este caso.

    A comunidade negra gaúcha e brasileira jamais esquecerá nítido crime com contornos racistas, perpetrado por dois homens brancos, e que culminou na morte de um homem negro às vésperas do Dia da Consciência Negra. A Justiça gaúcha negou, este ano, a hipótese de motivação racial para o crime, mas nós sabemos que o motivo da morte violenta de Beto foi por ele ter um corpo negro. Pretendemos que o caso sirva de exemplo a outros racistas, que parecem debochar das instituições quando violam, aviltam, atentam contra a vida e a humanidade de pessoas negras.

    Por isso, pedimos e exigimos justiça no caso do assassinato de Beto Freitas, por seus familiares e por toda a comunidade negra gaúcha e brasileira. E lembramos, oportunamente, as palavras de Desmond Tutu: "Se você fica neutro em situação de injustiça, você escolhe o lado do opressor"."


Maria Helena Santos  (artigo)

Jornalista, ativista social negra, mestranda em Educação, diretora de Comunicação da Frente Negra Gaúcha*


Livros que indico leitura:

Holloway, Thomas H. Polícia no Rio de Janeiro - Repressão e resistência numa cidade do século XIX.  Fundação Getúlio Vargas (FGV), 1997.

Cancelli, Elizabeth. O mundo da violência: A polícia da era Vargas. Ednub, 1993.

Kucinski, Bernardo (org.). Bala perdida: A violência policial no Brasil e os desafios para superação. Ed. Boitempo, 2015.

Foucault, Michel. Vigiar e punir: História da violência nas prisões. Ed. Vozes, 1997.


Para assistir: 

Carrefour promete ações conscientizadoras depois da morte de João Alberto.

Morte de João Alberto provoca onda e protestos pelo Brasil

Para ouvir: 

Identidade (Jorge Aragão)


Para ler: 

A demora para julgar o assassinato de Beto Freitas  revela descaso. - acesso: 18/01/2025





Cícero Souza

Pesquisador 
Professor
Gestor Escolar
(Governo do Estado de Pernambuco - SEE)
Mestre Ciências da Educação (Lisboa/PT)
Doutorando Ciência da Educação (Universidad Nacional de Rosario - UNR/ AR)
Doutor Ciências da Educação (Universidad Desarrollo Sustentable - UDS / Assunção - PAR)