Na semana de Novembro em que comemoramos a data Proclamação da República e a mídia traz nomes de figuras de representação na nossa História nacional, aqui a partir da nossa leitura, desejo que conheça um pouco como se apresentava Pernambuco nos primeiros anos da República (1889 -1930).
Mas, você já parou para pesquisar o nome da sua rua e a quem deve homenagem? Há logradouros que são batizados homenageando ex. presidentes, governadores, ministros, deputados, engenheiros, Barão, Marquês e tantos outras figuras.
"Talvez, ao ler nossa matéria de hoje você comece a observar um pouco mais que não transita "simplesmente" pela Avenida Conselheiro, Rosa e Silva; Avenida Agamenon Magalhães; que faz uma breve para para descansar na Praça do Derby e não "Delmiro Gouveia".
Há também localidades que fazem memória a pessoas "comuns" mas que fizeram expressiva diferença na comunidade seja por iniciar uma ocupação ou mesmo por defender interesses daquela coletividade sem a devida representação política ou voz nas ruas.
E aí, qual o nome da rua que você reside e qual a história do (a) homenageado (a)?
Talvez, ao ler nossa matéria de hoje você comece a observar um pouco mais que não transita "simplesmente" pela Avenida Conselheiro, Rosa e Silva; Avenida Agamenon Magalhães; que faz uma breve parada para descansar na Praça do Derby e não "Delmiro Gouveia". Ou talvez agora se questione: Por qual motivo uma rua tão curtinha foi batizada de Joaquim Nabuco mas, por outro lado, a tradicional Avenida Norte teve acrescido (pouco percebida) o nome Miguel Arraes de Alencar.
Mas, por fim, a leitura da nossa matéria faça você se perguntar: existiram tão poucas "Marias, José, Pedro, Joaquim, dona Tonha" que mereceriam uma homenagem nesse porte? Mas, talvez você mesmo responda que temos um parque na zona Sul que acaba por homenagear todas as mulheres "invisíveis" que passaram por aqui. Será?
Na verdade, lembro quando ainda jovem era muito comum comprar jornais para colecionar fascículos especiais resgatando a historiografia das gestões dos governadores, publicações que eu consumia em leitura e guardava seja para comparar as realizações ou mesmo para compreender a transição entre um governo que saia e o que entrava. Essa curiosidade cresceu quando certo dia conheci a neta de um ex. governador de Pernambuco (Dr. José Rufino Cavalcanti Neto) e percebi a relação história do cotidiano e o poder político-social.
Pois bem, hoje praticamente essas publicações não existem mais, vez por outra o que temos ainda são os velhos álbum de figurinhas, costume que por sinal poucos jovens ainda cultivam, seja em decorrência do poder aquisitivo (consciência do custo e benefício) ou mesmo por vivenciarmos uma sociedade onde o postar, curtir e compartilhar no esfera virtual é muito mais frenético do que colar figurinhas e buscar novos envelopes na banca de revista (que quase não encontramos como antes). No caso dos fascículos, por quais motivos os jornais não mais publicam os encartes retratando as realizações dos gestores que ocuparam o posto no executivo (estadual ou municipal)? Será que o leitor não tem mais interesse? O custo não cobre o benefício de bem informar a população?
As informações que presentes abaixo foram publicada no Encarte especial do Jornal do Commercio (05/10/1998) - "Nossos Governadores" um dos últimos materiais históricos publicados no Estado que buscava resgatar a história das administrações do Executivo estadual durante o período republicano.
"Alexandre José Barbosa Lima (20/04/1892 a 07/04/1896) - Consolidando a oligarquia."
(Jornal do Commercio. "Nossos Governadores")
Ao levantarmos a história de cada gestão perceberemos que alguns pensavam o cargo ocupado como parte de seu patrimônio, outros ocuparam o espaço apenas para atender interesses de grupos políticos e, por sua vez, durante as duas ditaduras (1937/1945; 1964/1985) que vivenciamos os gestores ora atenderam aos interesses do governo central ou por outra acabaram por entrar em rota de colisão e assim acabou por ser deposto.
Na verdade, o Estado de Pernambuco vivenciou dias tumultuados no período do Governo Provisório, primeira etapa da República. O Barão de Lucena governou apenas dois meses e saiu para assumir o ministério de Floriano, mas foi ele quem deu grande impulso à agroindústria açucareira. Seu vice, Correia da Silva, continuou os esforços de modernização, ao longo dos doze meses do seu governo. Seus substitutos passaram com relâmpagos pelo governo: José Maria de Albuquerque Melo, apenas três dias, e Barão de Contenda, 15 dias. Ele foi deposto por um golpe, após dissolver o legislativo e os Conselhos municipais.
"A Escola Técnica de Engenharia, na atual rua do Hospício, que mais tarde formaria grandes engenheiros, técnicos e professores de renome nacional e internacional com Mário Schemberg, Leite Lopes e Newton Maia, foi organizada e fundada em 1895, já no último ano de sua administração."
Posteriormente viria assumir o cargo o governador Alexandre José Barbosa Lima, na verdade, um delegado do presidente Floriano Peixoto, que praticamente o impôs juntos aos políticos pernambucanos. Barbosa foi eleito em abril de 1892. Homem autoritário, mas dinâmico, consolidou através de medidas administrativas e mantendo o apoio ao setor açucareiro, a oligarquia chefiada pelo Conselheiro Rosa e Silva. De fato, Rosa e Silva dominou Pernambuco por 15 anos, de 1896 a 1911.
Uma análise mais ampla indica que Barbosa Lima, apesar do tumulto da época e do seu autoritarismo, tinha preocupações com o progresso e desenvolvimento de Pernambuco. No seu governo a indústria, que dava os primeiros passos, foi incentivada e a preparação técnica também. A Escola Técnica de Engenharia, na atual rua do Hospício, que mais tarde formaria grandes engenheiros, técnicos e professores de renome nacional e internacional com Mário Schemberg, Leite Lopes e Newton Maia, foi organizada e fundada em 1895, já no último ano de sua administração.
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