"Membro da realeza do Daomé, ela foi escravizada após uma disputa familiar. As hipóteses sobre sua trajetória do outro lado do Atlântico sugerem uma importante influência sobre a cultura brasileira"
(Mãe africana que foi enviada para o Brasil - https://www.nexojornal.com.br/especial/2021/11/19/A-rainha-mãe-africana-que-foi-enviada-ao-Brasil-Agontimé )
Rainha Nã Agontimé
Representação ilustrativa de como seria a aparência de Nã Agontimé (foto - Google imagem
Nascida no reino do Daomé no século
XVIII, onde hoje fica Benim, na África, Nã Agontimé foi uma rainha africana,
esposa do rei Agonglo. Após a morte do marido, a estabilidade do reino ficou
abalada e um de dos filhos dela, Adandozan, tomou o trono, mesmo que o próximo
rei, de acordo com as vontade de Agonglo, deveria ser o filho de Agontimé, o
Gakpe. Temendo reação negativa à traição que cometeu, Adandozan, conhecido por
ser um homem cruel, vende a madrasta, Agontimé, como escravizada. Depois disso,
o paradeiro da rainha se perdeu, já que o novo rei ordenou aos compradores
de escravizados que ela fosse rebatizada, justamente para que ninguém a
encontrasse.
"Nascida no vilarejo Tendji localizado no reino do Daomé no século XVIII, Agontimé, uma das oito esposas do rei Agonglo, viveu uma vida comum para uma mulher africana. Foi mãe por volta dos 20 anos dando à luz ao Príncipe Gakpe. No entanto, seu futuro guardava grandes surpresas para sua trajetória que a tornaria uma célebre ancestral."
(Nã Agontimé: Rainha dos dois mundos - https://faleafrofuturo.medium.com/ná-agontimé-rainha-de-dois-mundos-27b34b5144c0 )
Por falta de registros históricos, não se sabe ao certo onde Agontimé viveu no Brasil, nem por quanto tempo. O rastro da rainha ficou perdido durante anos, até que, em 1948, um pesquisador francês Pierre Fatumbi Verger descobre vestígios de que ela conseguiu uma carta de alforria e foi uma das fundadoras da Casa da Minas em São Luiz do Maranhão. No Brasil, Agontimé foi rebatizada como Maria Jesuína e foi pioneira na disseminação da religião de matriz africana em território brasileiro. A rainha criou o culto de tradição Ewe-Fon no país, cultuado na Casa da Minas, que, em africano, carrega o nome de Querebentã de Zomadonu e significa “Casa grande de Zomadonu”, em referência ao vodun protetor de Maria Jesuína.
"A carne mais barato do mercado é a carne negra."
(A carne - Elza Soares)
Assim, o Maranhão é o único lugar das Américas onde se encontraram cultos às divindades ancestrais da realeza do Daomé, lugar onde nasceu Agontimé. Além disso, a Casa da Minas é o primeiro templo de tambor do Maranhão e serviu de modelo para a instalação de outras no Norte e Nordeste do Brasil, bem como para a implementação de outros centros de religião africana em todo território brasileiro.
(Fragmento - Matéria do Jornal Correio Braziliense - 22/11/2022)
Para você ler:
Consciência Negra: Conheça nomes que lutaram pelo fim da escravidão no Brasil.
https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2022/11/5052929-consciencia-negra-conheca-nomes-que-lutaram-pelo-fim-da-escravidao-no-brasil.html - acesso: 16/11/2023.
A rainha-mãe africana que foi enviada ao Brasil: Agontimé
https://www.nexojornal.com.br/especial/2021/11/19/A-rainha-mãe-africana-que-foi-enviada-ao-Brasil-Agontimé - acesso: 18/11/2023.
Nã Agontimé: Rainha dos dois mundos.
https://faleafrofuturo.medium.com/ná-agontimé-rainha-de-dois-mundos-27b34b5144c0 - acesso: 18/11/2023.
Para você ouvir:

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