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domingo, 17 de novembro de 2019

Pública - jornalismo investigativo

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"Se não fizermos nada vamos caminhar para uma democracia das plataformas"

Martin Moore: “Se não fizermos nada, vamos caminhar para a democracia das plataformas”

Autor do livro Democracia hackeada disse que nas redes é mais fácil espalhar desarmonia do que promover coesão.


Por Ethel Rudnitzki (Agência Pública)
“A janela da mudança está fechando”, afirma o jornalista e professor da King’s College London, da universidade britânica Martin Moore, autor do recém-lançado livro Democracy hacked: how technology is destabilizing global politics (Democracia hackeada: como a tecnologia está desestabilizando a política mundial, em tradução livre), ainda inédito no Brasil.
Em entrevista à Agência Pública, Moore faz um chamado a seus leitores: é preciso agir agora para evitar que a democracia seja hackeada por completo. “O erro foi assumir que as plataformas estavam do lado somente da democracia”, avalia.
Moore prevê dois futuros distópicos caso o sistema democrático não se adapte à realidade tecnológica. Ou vamos viver no que ele chama de Estados de Vigilância, ou seja, em países cujos governos monitoram e controlam a vida dos cidadãos através de plataformas digitais; ou, no outro caso, as plataformas digitais, canalizadas em seis grandes empresas [Facebook, Twitter, Amazon, Google, Apple e Microsoft], dominarão todas as esferas públicas e substituirão os próprios governos.
O autor fala sobre como agentes disruptivos — plutocratas ou Estados estrangeiros — foram privilegiados pelas plataformas. “O sistema favoreceu aqueles que buscaram respostas imediatas, emocionais, não engajados no debate democrático”, explica. Para ele, um erro que muitos governos estão cometendo é pensar que existe uma “bala de prata de regulamentação e legislação” que vai resolver todos os problemas online.
Além de constatar esses problemas, Moore também sugere soluções de como podemos — e precisamos — “re-hackear” a democracia para além de legislações genéricas de regulação das redes. A seguir, a entrevista:
Anos atrás, as redes sociais pareciam ser ferramentas democráticas e participativas, como aconteceu durante a Primavera Árabe. Hoje, parece que o jogo virou e as plataformas estão sendo usadas para alavancar pessoas com ideias autoritárias. Na sua opinião, os democratas falharam em usar as ferramentas digitais?
Eu acho que eles [democratas] usam as ferramentas, mas o erro foi não entender que tanto as pessoas que promoviam ideias democráticas e respeitavam as normas eleitorais quanto as pessoas que queriam causar confusão e disrupção estavam online. E, para essas últimas, era mais fácil de se comunicar, devido à maneira como as plataformas funcionam. É mais fácil espalhar desarmonia e promover anarquia do que promover coesão e apoiar as convenções e princípios democráticos. O erro foi assumir que as plataformas estavam do lado somente da democracia. Quando, na verdade, eram ferramentas de transformação e disrupção, e não só os regimes autoritários poderiam ser ameaçados, mas também a democracia.
Por outro lado, a internet deu voz a pessoas que estavam excluídas da sociedade. Isso fica claro na ascensão dos chamados outsiders, pessoas que estavam fora do meio político, na política. Isso não pode ser um sinal de que a internet de alguma forma democratizou o acesso à política?
É comum as pessoas serem ou utópicas ou distópicas em relação a isso [ao fato de que a internet incluiu pessoas]. Você pode enxergar a internet como uma força fantasticamente liberalizante ou você pode vê-la como um grande desastre. Mas acho que, sempre que nos deparamos com mudanças tão grandes como essa, é comum que haja essa desestabilização. Novas forças surgem, como você apontou, e novas ideologias políticas também. Isso é uma consequência da transformação.
Pode parecer fantástico que estejamos vendo outsiders sendo incluídos, mas algumas pessoas e ideias podem estar sendo ainda mais excluídas. O problema é que a estrutura desse mundo digital favorece certas práticas e indivíduos em detrimento de outros, particularmente aqueles que estão dispostos a quebrar convenções e são mais propícios a atacar, a causar choque, revolta, a chamar atenção e a engajar em formas de extremismo.
No seu livro, você defende que a democracia foi hackeada. Quem são os hackers por trás disso? São essas pessoas outsiders e simpáticas ao extremismo que hackearam a democracia?
Uma das razões para eu escrever o livro foi justamente porque muitas pessoas estavam dizendo que a democracia estava ameaçada pelas plataformas digitais. E eu não entendia muito bem o que elas estavam falando. Eu não entendia o que causava os problemas. Então fui atrás de quem estava sendo eficiente em usar essas ferramentas e causando os problemas. E o que mais ficou aparente foi que as pessoas que eram bem-sucedidas na internet eram aquelas que, anteriormente, eram excluídas da sociedade, às vezes deliberadamente. Muitas vezes eram indivíduos que não tinham acesso a ferramentas de poder ou eram proibidos de agir politicamente.
Ou então eram pessoas muito ricas, mas que se sentiam ou eram restringidas a atuar via regras democráticas, além dos Estados estrangeiros que querem influenciar geopoliticamente os outros países.
Os primeiros eu chamo de coletivos do 4chan, ou seja, são grupos que usam as ferramentas digitais para fazer coisas que a sociedade não aprovaria. Pesquisando sobre eles, descobri que alguns desses indivíduos não estavam lutando por uma causa. Eles estavam apenas querendo causar o máximo de confusão que pudessem, de maneira parecida a países como a Rússia.
Esses agentes que têm dinheiro? Como eles trabalharam para a disrupção da democracia?
Eu me baseei no Robert Mercer [o empresário por trás do escândalo da Cambridge Analytica] para isso. Ele não tinha nenhum status ou posicionamento político. Ainda assim, devido ao seu dinheiro e conhecimento na área [do big data], ele foi capaz de investir e entender o uso político dos dados em massa para influenciar as eleições americanas [em 2016].
É claro que pessoas com muito dinheiro podiam influenciar as eleições no passado, mas não era tão efetivo e tão impactante quanto o que foi feito nos últimos anos com as ferramentas digitais.
O que eu quis mostrar foi que, graças à maneira como as ferramentas digitais são acessíveis, indivíduos, se agirem coletivamente, podem ter um impacto significante nas eleições. Algo que eles não podiam fazer no último século, quando a política era dominada por partidos e pela mídia tradicional.
E quando se trata de uma pessoa rica — um plutocrata — ela pode ter uma influência de fora do establishment, sem a intermediação de partidos e até desafiando esses poderes políticos.
Qual foi o papel dos Estados estrangeiros em hackear a democracia?
Eu encontrei similaridades entre esses três agentes [indivíduos, plutocratas e Estados]. Eles todos espalharam a confusão o máximo possível. E eles tiveram muito mais sucesso do que teriam sem as plataformas.
No caso da Rússia, o país tentou espalhar desinformação e notícias falsas por muito tempo, desde a União Soviética. Eles tentaram interferir nas eleições e governos e prejudicar a legitimidade de sistemas democráticos, particularmente nos EUA e na Europa. E eles adaptaram essa estratégia para o novo ambiente midiático. A tecnologia tornou a disrupção mais fácil.
As ferramentas permitiram um alcance internacional e foram incrivelmente úteis para atingir as estruturas.
Por que esses agentes disruptivos foram mais favorecidos que os outros nas plataformas?
O problema está na maneira como a publicidade é feita nas plataformas, que encoraja qualquer coisa para gerar cliques. As redes sociais são melhores para provocar respostas comportamentais nas pessoas, mais do que a reflexão e o convencimento. Então as pessoas que seguem as tradições democráticas e tentam persuadir as pessoas para uma causa, tentando convencer a votar em certo candidato, não foram favorecidas. O sistema favoreceu aqueles que buscaram respostas imediatas, emocionais, não engajar no debate democrático.
Como as instituições podem recuperar a força perdida por esses agentes disruptivos nas redes sociais? A regulação das plataformas é uma alternativa?
Acho que a primeira coisa que a gente precisa fazer é reconhecer a escala da mudança pela qual estamos passando. Um erro que muitos governos estão cometendo é pensar que existe uma bala de prata de regulamentação e legislação que eles podem aprovar e vai resolver todos os problemas que enfrentamos online nos últimos anos. Muitos governos estão fazendo legislações genéricas para regular a internet. Eu acho que é um mal-entendido.
O que estamos enfrentando é muito mais complexo e não vai acabar no curto prazo. A mídia e os sistemas de comunicação são centrais para a democracia desde o início, e eles mudaram completamente, portanto precisamos adaptar e mudar a democracia como um todo também.
Temos que reconhecer que há um grande abismo entre as coisas que os cidadãos são capazes de fazer por meio dessas ferramentas e as coisas que eles podem fazer pelo sistema político. Por isso, há muitas oportunidades e razões para as pessoas evitarem o sistema político.
Dito isso, há uma série de coisas que se pode fazer no curto prazo para resolver isso. Uma coisa importante é a transparência, por exemplo, na propaganda e no financiamento político. Precisamos saber quem são os alvos dos anúncios, que dados dos usuários estão sendo usados. E também há algumas regulações a serem feitas, por exemplo, proibir anunciantes de direcionar anúncios baseados em certos dados pessoais.
Devemos discutir mais sobre em que mundo queremos viver. Adoraria ver as pessoas falando onde elas querem estar em dez anos. Queremos estar dependendo de seis grandes plataformas digitais? Ou queremos que os Estados criem suas próximas plataformas para nos vigiar?

Um dos problemas que enfrentamos no mundo digital é a questão da privacidade. E uma solução proposta é o uso de ferramentas de navegação anônimas ou encriptografadas. O que você acha dessa solução?
Eu acho que resolve um dos problemas, mas cria muitos outros. Nós vimos como ferramentas encriptografadas como o WhatsApp são muito mais difíceis de fiscalizar em termos de desinformação e financiamento de campanha. Então, embora eu reconheça que as plataformas estão substituindo a esfera pública e coletando nossos dados pessoais de maneira exacerbada, acessar as ferramentas de maneira anônima não resolve isso. Só coloca o problema debaixo do tapete.
Uma vez que esses agentes estão hackeando a democracia, o que pode acontecer com ela? Quais transformações você prevê?
Pesquisei as maneiras como os governos estão reagindo a essa nova fase e que caminho estamos seguindo. Descobri que há duas direções. Uma delas, que já está acontecendo na China e até certo ponto no Irã e na Rússia, é que os Estados estão tentando recuperar o controle, colocando-se acima dessas plataformas transnacionais. Eles tentam, impondo o que chamo de soberania digital, restringir essas empresas às legislações de seus países ou as excluem completamente criando plataformas digitais nacionais, monitoradas pelo Estado. Então, o governo se transforma em um Estado de vigilância, porque, uma vez que as autoridades controlam as plataformas, elas podem monitorar os cidadãos o tempo todo.
Outra alternativa é que, se os governos mantiverem os princípios liberais não intervencionistas, as plataformas vão cada vez mais se expandir e incorporar outros aspectos da vida pública. As pessoas vão começar a depender delas mais e mais até que elas vão ser os meios para os serviços públicos, como educação, saúde, transportes. E chegará a ponto de não podermos mais não usar as plataformas. Se não fizermos nada, vamos caminhar para o que eu chamo de democracia das plataformas.
Qual desses futuros você acha mais provável de acontecer? Podemos reverter algum deles?
Eu tenho esperança de que haverá uma reação, mas entre essas duas rotas já estamos vendo alguns países, como a China, caminhando para um Estado de vigilância. E eu também suspeito que alguns países, como os EUA, que têm pouca regulação sobre o uso de dados pessoais, estão se tornando democracias de plataformas. Temos diferentes lugares caminhando em diferentes velocidades para esses possíveis futuros, mas acho que também veremos países tentando remar contra a corrente por um futuro melhor. A janela da mudança está fechando, assim como a da mudança climática. Temos que agir agora ou vamos nos encontrar numa estrada sem saída.

FONTE:http://gazetadesantarem.com.br/martin-moore-se-nao-fizermos-nada-vamos-caminhar-para-a-democracia-das-plataformas/


Reforma da Previdência (que precisamos entender)

Reforma da Previdência dos militares pode aumentar salários em até 75% 

Um coronel que em 2020 teria soldo de R$ 11.451 passaria a receber um salário de R$ 20.039,25 com o acréscimo. Já um cabo que tem soldo de R$ 1.078 ficaria com o total de R$ 1.261,26 no fim de cada mês.


Caso seja aprovada na íntegra, a reforma da Previdência das Forças Armadas pode gerar um aumento de até 75% nas remunerações dos militares. Isso porque a proposta apresentada pelo governo cria novos adicionais que são incorporados ao soldo até mesmo na inatividade.
No caso do adicional de habilitação, por exemplo, que já existe, o percentual de 30% para altos estudos categoria I passaria a ser de 73%. Um aumento, portanto, de 43%. Além disso, esses militares teriam direito ainda a um adicional de disponibilidade militar, criado pelo projeto de lei que reestrutura a carreira, no valor de 32%, que somado ao adicional de habilitação representaria um aumento salarial de 75%. No caso dos cabos e soldados, o aumento com esses dois adicionais seria de apenas 17%.
Ou seja, um coronel que em 2020 teria soldo de R$ 11.451 passaria a receber um salário de R$ 20.039,25 com o acréscimo. Já um cabo que tem soldo de R$ 1.078 ficaria com o total de R$ 1.261,26 no fim de cada mês.

Economia reduzida com a reestruturação da carreira


A economia proposta com a reforma dos militares é de R$ 97,3 bilhões em dez anos. Porém, a reestruturação dos salários custará R$ 86,85 bilhões, levando ao resultado fiscal líquido de R$ 10,45 bilhões. A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o texto irá se reunir na próxima terça-feira para discutir e votar o parecer do relator, deputado Vinicius Carvalho (Republicanos-SP). Os parlamentares iniciaram a discussão na última quarta-feira, mas houve divergências em relação ao reajuste salarial previsto até 2023.

Deputados divergem sobre percentuais dos adicionais

As divergências ocorreram porque uma parte dos deputados defende que os percentuais sejam os mesmos para todos, enquanto a ala mais alinhada ao governo defende que seja mantido o texto original, com percentuais que crescem conforme a hierarquia. Após o racha no PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, o líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir, teria se unido ao Psol para aumentar o reajuste de praças e soldados. (Jornal Extra)

Fonte: http://gazetadesantarem.com.br/reforma-da-previdencia-dos-militares-pode-aumentar-salarios-em-ate-75/


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

130 anos da Proclamação da República brasileira

''O que diabos estamos comemorando hoje?'', questiona ministro da Educação

Abraham Weintraub elogia Monarquia e provoca feministas em aniversário da República



"Weintraub também provocou o movimento feminista, convidando-o a uma reflexão: "O Império teve seus dois principais atos assinados por mulheres educadas, inteligentes e honestas! Elas nos governaram bem antes de Dilma (Rousseff)", escreveu, em referência a Imperatriz Maria Leopoldina e a Princesa Isabel."


"Em um terceiro post, Abraham Weintraub divulgou foto na qual aparece em reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. "Qual a melhor forma de 'comemorar' o primeiro golpe de estado no Brasil? TRABALHANDO!", afirmou."




https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/11/15/interna_politica,806679/o-que-diabos-estamos-comemorando-hoje-questiona-ministro-da-educ.shtml

Proclamação da República (1889 - Brasil)


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Não há melhorias em oportunidades para negros no Brasil, diz Fábio Esteves

Entrevistado do programa CB.Poder desta quarta-feira (13/11), o presidente da Amagis, Fábio Esteves discutiu políticas sociais e de inclusão da comunidade negra no país



Em entrevista concedida ao programa CB. Poder, parceria do Correio com a TV Brasília, na tarde desta quarta-feira (13/11), o presidente da Associação de Magistrados do Distrito Federal (Amagis), Fábio Esteves disse que ainda não há o que comemorar em relação a melhorias nas oportunidades para pessoas negras no Brasil.

“Nos últimos 15 anos tínhamos aumentado o acesso dos negros ao ensino superior, mas a questão da empregabilidade e do acesso aos serviços públicos ainda continua em uma situação bastante preocupante para nós.” O juiz destacou que a cada R$ 1000 que um homem branco ganha, um negro ganha R$ 560 e uma mulher negra ganha R$ 440. Segundo ele, esses números são alarmantes e fazem o mês da consciência negra ser um momento de discutir democracia, igualdade e raça, além de celebração da cultura e memória. 

Fábio disse que falta punição e que as instituições de justiça têm um papel muito importante para cobrir nesse sentido. ”As pessoas dizem que falta educação, porém, evidentemente, muitas pessoas que são muito bem instruídas também acabam tendo atitudes racistas.” O presidente da Amagis citou casos de racismo que ganharam grande repercussão recentemente, um deles foi o caso que ocorreu com os jogadores brasileiros de futebol, na Ucrânia. 

“No sistema de justiça temos vários aspectos para discutir sobre isso. A compreensão desses crimes fica comprometida se nós não tivermos, no âmbito do judiciário, pessoas que representem essa população negra”, afirmou o juiz. Fábio foi alfabetizado em uma escola rural., venceu a pobreza e formou-se em direito. Ele, então, tornou-se juiz com uma forte atuação no debate sobre a representatividade da população negra dentro do poder judiciário. 

Em relação às ações afirmativas no âmbito da educação, como cotas em universidade por exemplo, Esteves afirmou que elas foram fundamentais e que as cotas são um processo temporário. “Nos Estados Unidos, a suprema corte já restringiu o programa de ação afirmativa. Lá ele já tem 50 anos e alcançou parte do objetivo proposto.” De acordo com ele, essas ações foram importantes para o pensamento sobre a inserção da população negra no mercado de trabalho. “No concurso da magistratura, mesmo com cotas, temos dificuldades para que um sujeito negro ingresse. Até porque o modelo de seleção ainda envolve o processo que analisa cor e classe social”, contou. 

“A magistratura tinha, em 2015, 1,4% de juízes pretos, esse número avançou para 1,6 este ano. Então, essa mudança é muito lenta. Esse programa ainda vai surtir efeito e penso que nos próximos 30 anos ainda teremos que trabalhar o programa de ação de afirmativa.” Segundo ele, 76% do público encarcerado é de homens negros, essa situação se repete no caso do público carcerário feminino. Na visão de Fábio, a  atuação policial e judicial é "racializada", ou seja, a cor teria um papel importante nas ações dessas instituições. 

“Às vezes, um sujeito, por se encontrar em uma determinada região tida como perigosa, por estar trajando determinada tipo de roupa e é flagrado ali com uma porção X de maconha. Pode ter ali uma prisão preventiva enquanto que, em outras regiões no Distrito Federal, outro sujeito pode não ser preso e portar 800 comprimidos de drogas sintéticas para distribuir numa festa.” Esteves explicou que foram feitas pesquisas sobre a aplicação da lei de drogas e que foi constatado que existem 5100 sentenças em que um homem negro foi condenado com uma quantidade de droga inferior àquela que levou um homem branco a ser absolvido.

Sobre políticas públicas em relação aos direitos da população negra, o juiz ressaltou que o governo adotou uma postura que dificultou a discussão dessas questões. “O primeiro discurso foi que as minorias deveriam se curvar às maiorias. Diminuiu um pouco o direcionamento de algumas políticas públicas nesse sentido”, relembra. No Distrito Federal, Esteves afirmou que acompanha o trabalho da Subsecretaria de Política de Direitos Humanos e de Igualdade Racial e teceu elogios ao secretário do setor. “Temos aqui no DF várias políticas de empregabilidade como as feiras de formação e aprendizado. Essas são medidas que considero muito positivas e na direção da necessidade que a gente tem hoje.”

Segundo Fábio Esteves, a sociedade brasileira sempre foi muito racista, e diz que isso se deve ao fato da vontade de se manter um status e um privilégio da branquitude. “A diferença é que hoje nós temos uma consciência maior disso. Os negros adolescentes estão reconhecendo a sua negritude e levando isso para as suas escolas”, finaliza o juiz.

O convidado do CB Poder também se manifestou sobre a prisão em segunda instância. “Eu não vejo de forma alguma o Supremo Tribunal Federal bloqueando o combate à corrupção no país. O que o STF fez foi promover uma interpretação da constituição no sentido de que, trânsito em julgado, de fato deve correr depois do esgotamento das instâncias. Ao mesmo tempo eu fico muito preocupado com a nossa constituição. Às vezes a gente quer resolver os problemas fazendo vista grossa com aquilo que está lá. Mas aí é abrir janelas para poder mexer com outros direitos” frisou.

Sobre uma nova constituinte, o presidente da Associação de Magistrados do Distrito Federal disse que a proposta de uma assembleia nacional constituinte é completamente descabida. “A gente precisa de uma constituinte em momentos de crises e momentos em que a gente tem a necessidade do rompimento com a estrutura anterior. Esse não é o caso, a nossa justiça está funcionando, não há motivo e não há de se pensar em constituinte nesse momento em que estamos vivendo hoje”, declarou o representante da Amagis.

*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Nader


https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/11/13/interna-brasil,806169/nao-ha-melhorias-em-oportunidades-para-negros-no-brasil-diz-fabio-est.shtml







terça-feira, 12 de novembro de 2019

Escritoras negras falam sobre raça, gênero e direitos civis.

Referências na literatura, elas falam sobre raça, gênero e direitos civis


Toni Morrison, Maya Angelou, Maryse Condé, Djaimilia Pereira de Almeida e Angela Davis refletem sobre gênero, raça, identidade, colonialismo e literatura


"Maya Angelou ensina os significados de casa, filantropia, verdade e violência a partir de sua perspectiva. Angela Davis fala sobre prisões, tortura e democracia em uma série de entrevistas enquanto Toni Morrison reflete sobre como uma pessoa se torna racista. Cotada para o Nobel, a francesa Maryse Condé conta a história de Tituba, uma das primeiras mulheres julgadas por bruxaria em Salém e essa história de dominação colonial é a mesma que serve de fundo a Djaimilia Pereira de Almeida em Luanda, Lisboa, Paraíso. Cinco autoras negras cujos nomes figuram na lista do que melhor se tem produzido em termos de ficção contemporânea e ensaios quando o tema é colonialismo, discriminação, direitos civis e democracia chegam às livrarias com lançamentos que não podem faltar em uma biblioteca."



https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/11/12/interna_diversao_arte,805652/referencias-na-literatura-elas-falam-sobre-raca-genero-e-direitos-ci.shtml